sexta-feira, setembro 22, 2017

Presidente do Conselho Federal de Psicologia tem problemas Psicológicos











por Marcelo Faria do ilisp e blogando francamente. 




O presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Rogério Giannini, esteve há três meses na ditadura socialista da Venezuela para participar do evento “1º Foro Internacional Violencia e Operaciones Psicologicas“, ocorrido entre os dias 11 a 15 de junho de 2017. De acordo com o Ministério do Poder Popular para a Comunicação e a Informação da Venezuela, o objetivo do evento era abordar “a violência que setores da direita têm pretendido instaurar no país”. O evento foi dirigido pessoalmente pelo ministro Ernesto Villegas, contou com a presença do ditador Nicolás Maduro e teve Rogério como um dos “especialistas” para tratar do assunto objetivo do “foro”.




Rogério não apenas tirou fotos com os presentes, incluindo o próprio ditador Nicolás Maduro, como sua viagem foi paga pelos 300 mil psicólogos do país que são obrigados a financiar o CFP todos os anos pagando até 431 reais por ano. De acordo com informação divulgada no site de Transparência do CFP (como autarquias federais, todos os Conselhos Profissionais são obrigados a divulgar seus gastos), o apoio ao ditador Nicolás Maduro custou R$ 4.639,46 ao bolso dos psicólogos brasileiros.

Fonte: ilisp.org (matéria assinada por Marcelo Faria)
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Mais sobre o presidentO do CFP:

Rogério Gianinni, não nega suas "origens" e sua militância esquerdista e usa - como outros também o fazem - sua "influência" no Conselho para cabalar votos para esquerdopatas que se afinam com seu pensamento. 



Tirando a militância esquerdista, Rogério também se aventura no campo da poesia, digamos, esquerda herege já que mistura seus devaneios com teologia de botequim:

Pessoa em outra pessoa

Por Rogério Giannini - 16 de fevereiro de 2011

VIII – Num Meio-Dia de Fim de Primavera

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou ˜
“Se é que ele as criou, do que duvido” ˜
“Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.”
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.
…………………………………………………………………..
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
…………………………………………………………….
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
……………………………………………………………
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Rogério, além dessa veia poética herege vilipendiosa, também possui, como todo esquerdista, a incrível capacidade de ler e não entender, ainda que tenha um diploma de curso superior. No último dia 15 de setembro ele, na condição de Presidente do Conselho Federal de Psicologia estava presente na audiência do juizo da 14a vara federal, onde o MM Juiz Waldemar Claudio de Carvalho proferiu sentença autorizando os psicólogos a atenderem pacientes que os procurem para "reverter" suas orientações sexuais. Portanto o MM Juiz não cita em momento algum a "cura Gay" - como se pode conferir na ata - mas, como é praxe da esquerda, é preciso sempre demonizar alguém e o senhor Juiz está sendo execrado em redes sociais por algo que não fez. Mas esse sujo papel é normal na esquerdopatia, felizmente há quem saiba ler e entender como a transexual Maria Clara Galhardo que gravou um vídeo aos "desatentos":


quarta-feira, setembro 20, 2017

Urnas eletrônicas: falhas, vulnerabilidades e fraudes do mesário





por Felipe Payão(*).



O professor Diego Aranha é uma das poucas pessoas independentes, sem relação com o governo, que conseguiram colocar as mãos nas urnas eletrônicas, realizar alguns testes de invasão e buscar vulnerabilidades. Aranha palestrou no evento Mind the Sec, em São Paulo, na quarta-feira passada (13), e o TecMundo conversou com ele por alguns minutos sobre a segurança das urnas eletrônicas no Brasil.

Professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Aranha coordenou em 2012 a primeira equipe de investigadores independentes capaz de detectar e explorar vulnerabilidades no software da urna eletrônica em testes controlados organizados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em 2016, foi convidado para realizar novos testes, mas se negou — os motivos você descobre na entrevista. Agora, em 2017, Aranha colocará novamente as mãos nas urnas, e você saberá o resultado dos testes em novembro aqui no TecMundo.

No Mind the Sec, o papo que o professor levou foi outro, abordando temas como criptografia e segurança computacional. Segundo o próprio evento, a "palestra tratou da evolução das técnicas criptográficas e outras tecnologias de preservação da privacidade sob um ponto de vista histórico, até o desenvolvimento da chamada criptografia fim-a-fim implementada em aplicativos modernos para troca de mensagens". Mais sobre isso, você encontrará no canal oficial do Mind the Sec no YouTube.

Agora, você vai acompanhar a conversa que tivemos com Diego Aranha especificamente sobre as urnas eletrônicas. Acompanhe:

TecMundo: Qual foi o seu envolvimento nos testes das urnas eletrônicas?

Diego Aranha: Eu participei como coordenador da equipe vencedora dos testes do TSE na edição de 2012. Em 2016, atuei apenas como observador externo dos testes; isso porque naquele ano o TSE introduziu um Termo de Confidencialidade que me recusei a assinar. Basicamente, o termo determinava que tudo que aconteceria nos testes por lá teria que ficar (sem divulgação). Havia conflito com as informações obtidas em 2012, que deixaram a situação confusa. E também tem o problema natural que eu sou um funcionário público, que deve prestar contas à sociedade. Meu salário não é pago para que eu guarde segredos do TSE. Muito pelo contrário, é para observar o que está funcionando bem e funcionando mal e relatar para a sociedade qual é a minha interpretação. Então, em 2016 eu só fui observador, fiz parte da comissão de avaliação que tentou garantir que os testes fossem minimamente razoáveis. Agora, em 2017, eu vou participar de novo com um grupo de investigadores.

TecMundo: E desta vez não será confidencial?

Aranha: O Termo de Confidencialidade foi alterado, após muita pressão. Agora, você pode relatar publicamente sobre o que foi observado, como vulnerabilidades e afins, desde que o Tribunal Superior Eleitoral seja comunicado antes. Entendi ser razoável. Ainda existem restrições de escopo, sistemas que investigadores não podem olhar, como a identificação biométrica — que não está disponível para teste apesar de estar em produção.

TecMundo: E quem desenvolve é o próprio pessoal do TSE...

Diego Aranha: Sim, o software hoje é majoritariamente desenvolvido por equipe do TSE. Anteriormente, já foi inteiramente terceirizado, mas hoje é responsabilidade do TSE, que conta com uma equipe própria para desenvolver o sistema e mantê-lo ao longo do tempo.

Diego Aranha: Sim, foi um absurdo. Foi quando o ministro Toffoli foi presidente do TSE (ministro Dias Toffoli, 2014/2016), e o PSDB perdeu as eleições gerais e pediu auditoria. Boa parte da imprensa, na época, encarou como um terceiro turno — o que eu acho uma estupidez. Qualquer sistema, de qualquer ordem, deve ser passível de auditoria, e é totalmente legítimo solicitá-la. O problema é que as pessoas olham mais o aspecto político do que o aspecto técnico. A auditoria precisa ser livre para qualquer partido que seja.

Então, montaram uma equipe para realizar a auditoria — eu fui convidado, mas decidi não participar porque os meus esforços são completamente apartidários, não represento e não me envolvo com partido algum — e contactaram duas pessoas para fazer parte dessa equipe: o Alex Halderman (professor na Universidade de Michigan), que já peregrinou o mundo violando segurança de equipamentos de votação — chegou quase a ser deportado da Índia —, e o Rubira por ser absolutamente competente.

O Rubira trabalha na Intel, fora do Brasil, e tem muita experiência em segurança de software, segurança de aplicações, enfim. O TSE negou a participação dos dois com o argumento de que como um é cidadão estrangeiro e o outro vive em cidade fora do Brasil, isso viola a soberania nacional. Supondo que, sei lá, a Intel tivesse interesse em roubar tecnologia das urnas eletrônicas, como se fossem tão avançadas a ponto da Intel considerar isso estratégico. Resultado, um cidadão brasileiro com domicílio fiscal no país foi impedido de participar com esse argumento.

TecMundo: Voltando um pouco para 2012, quando você de fato colocou a mão no sistema. Quais vulnerabilidades mais graves foram encontradas?



Diego Aranha: Acho que a mais grave observada foi a que nos deu a vitória. Observação: em 2012, os testes eram uma competição entre times também, o que era ineficiente, e até sugerimos que mudasse. Após reunir muita gente dedicada a tornar o sistema mais seguro, não faz muito sentido competir entre si. Voltando: o que exploramos no ambiente de teste foi uma vulnerabilidade no sigilo do voto. Conseguimos, após realizar uma eleição simulada, recuperar os votos em ordem, baseado apenas em informação pública. A hora de emissão da zerésima era a informação que a gente precisava para descobrir como votou o primeiro eleitor, o segundo eleitor, o terceiro eleitor e assim por diante. Sem, no entanto, saber quem eram o primeiro, o segundo e o terceiro eleitores — apesar dessa informação ser fácil de conseguir com a ajuda de um mesário malicioso.


Também descobrimos que a urna armazena o horário de votação de cada um desses eleitores. Então, por exemplo, se você quisesse descobrir o voto de um ministro do Supremo Tribunal Federal, você precisaria do horário de emissão da zerésima da seção eleitoral dele (que é informação pública), de um arquivo que se chama Registro Digital do Voto (que coloca os votos embaralhados e também é informação pública para os partidos) e do horário que ele votou, para descobrir o lugar dele na fila. Recuperando então os votos em ordem, você sabe qual é o voto do ministro. 

Observamos que não havia qualquer obstáculo técnico para, por exemplo, descobrir o voto do presidente do TSE nas eleições de 2010. Obviamente, não fizemos isso porque é antidemocrático e contra a lei, mas as condições técnicas estavam todas lá. 

Também descobrimos que os mecanismos que protegem o software contra manipulação sofriam de falhas de projeto fundamentais. Todas as urnas compartilham o mesmo segredo para proteger o software de votação e isso está diretamente inserido no código-fonte do equipamento. Então, tem ao menos 500 mil cópias dessa informação às claras em cartões de memória, não dá nem para chamar isso de segredo. Mas não tivemos tempo de realizar um ataque em tempo real sobre essa vulnerabilidade, nos deram apenas três dias. Dois dias ficamos realizando ataques no sigilo do voto e o terceiro para montar o relatório e negociar com o TSE o que entraria no relatório. Então, tiveram vulnerabilidades que descobrimos, não atacamos ou exploramos, mas documentamos.


TecMundo: E depois de tudo isso as urnas passaram por alguma atualização?


Diego Aranha: Sim, o software mudou. Fisicamente é praticamente a mesma urna, mas algumas coisas mudaram. Em 2012, havia dois modelos principais: um que não tinha um módulo de segurança em hardware e outro que tinha esse módulo, mas não era usado para tarefas importantes. Esse módulo gera números aleatórios, exatamente para realizar esse embaralhamento de maneira segura; e também há um espaço para armazenar chaves para encriptar a mídia de maneira segura, mas não era usado assim... com o aparente argumento de que "se nem todas as urnas têm, nenhuma pode usar", o que não faz qualquer sentido em termos de segurança.


Desde então, a fração das urnas com esse módulo em hardware com certeza aumentou. As urnas antigas vão saindo de operação e as novas já têm esse recurso. É claro que, entendo e acredito, que o TSE integrou alguns desses mecanismos, que já estavam lá e já haviam sido comprados, nas versões mais novas do software. Eu não tenho evidências disso, mas seria algo natural — foi até o que recomendamos no relatório. Todos esses equipamentos são custeados por impostos, é o mínimo que podem fazer.


TecMundo: Os hackers estão cada vez mais jovens e o hacker brasileiro tem um certo costume de invadir sites por diversão, mesmo que falte um conhecimento técnico alto como atacante. Chegando para as urnas, é fácil se tornar um atacante desse sistema em específico? 


Diego Aranha: O que observamos é o seguinte: os mecanismos de segurança que estavam no sistema não ofereciam custo proibitivo para algum atacante minimamente sofisticado. Um atacante de eleições é um atacante muito bem equipado, politicamente e financeiramente, tanto que possuem milhões para comprar votos.


Evidentemente eu também não sei se os atacantes de eleições brasileiras, como os políticos da velha guarda, possuem interesse real em fraudes tecnológicas. Eles têm vencido eleições do jeito antigo desde que o Brasil é Brasil. Não temos como especular. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que não deveríamos estar nessa posição, até porque do ponto de vista custo-benefício, é um ponto tentador de ataque. Se você compromete alguém, por exemplo, que esteja dentro do TSE para escrever software que vai roubar votos para alguém, isso tem (em tese) custo muito mais barato do que comprar 100 mil votos em uma cidade. É um ponto tentador de ataque, que concentra risco. Eu não sei se os partidos e os políticos já perceberam ou se preocupam com isso, até porque eles encontram outras formas de ganhar eleições. Mas o que é evidente é o seguinte: infelizmente, temos uma comunidade muito profícua em produção de software malicioso e fraude financeira. As condições técnicas, caso sejam transportadas para as eleições, estão lá — ou estavam lá em 2012.


TecMundo: Ocorrem outros tipos de fraude?


Diego Aranha: Nós temos outros tipos de fraude menos tecnológicas nas eleições brasileiras, mas se fala pouco a respeito. A fraude do mesário, em que ele vota no lugar de pessoas que não foram votar. Então, quando a pessoa justifica a falta, percebe-se posteriormente que já votaram no lugar dela. Esse tipo de coisa acontece. Isso porque os mesários também concentram risco nas eleições, eles têm acesso privilegiado ao equipamento.


TecMundo: Mas como isso acontece, especificamente?


Diego Aranha: O mesário opera o equipamento e um eleitor que justificou o voto, por estar em outra cidade, observa posteriormente que o voto foi computado para o título de eleitor dele. O Tribunal Superior Eleitoral fez um cruzamento recentemente e acharam um volume, se não me engano, de dezenas de milhares de votos justificados, mas que receberam votos, que foram contabilizados. O TSE se manifestou de maneira inconclusiva, como se fosse uma questão dúbia. É evidente que foi uma fraude de mesários votando por pessoas que não foram votar.


Então, temos fraude eleitoral no Brasil. Temos compra de votos, temos fraude de mesário, temos modalidades menos tecnológicas de fraude eleitoral que ainda não são devidamente discutidas. Há uma preocupação excessiva com a urna, até porque o equipamento representa maior risco, mas existe fraude eleitoral no Brasil.


E quando a gente fala de dezenas de milhares de votos, estamos falando de algo decisivo em eleições de menor porte. Basta olhar para as recentes e diferentes eleições, como os resultados estão cada vez mais divididos e ao mesmo tempo apertados, como a eleição presidencial passada. Isso pode interferir nos resultados de uma eleição.


TecMundo: Fraudes menores passam despercebidas, certo? E com as eleições cada vez mais apertadas, isso pode fazer uma grande diferença...


Diego Aranha: As pessoas quando pensam em fraude, pensam em um cenário fictício e espetaculoso para uma fraude eleitoral. Mas, na verdade não é isso, às vezes são 500 votos que separam o primeiro do segundo turno. Aí tem um escândalo de corrupção prestes a estourar que vai fazer o candidato perder a eleição no segundo turno. Se ele consegue resolver ainda no primeiro, a vantagem é enorme. Então, sim, pode ser uma fração bem pequena de votos que decide os resultados.


Você apontou muito bem: a eleição presidencial passada e as nossas eleições daqui para frente serão muito polarizadas. A sociedade está se polarizando cada vez mais e fica cada vez mais complicado resolver disputas em resultados eleitorais, por isso transparência é tão importante.


As nossas eleições sempre vão ser muito disputadas. Se não tivermos um sistema minimamente auditável e transparente, isso só dificulta e atrapalha as coisas.


TecMundo: E o que poderia ser feito para aumentar a segurança das urnas e também tornar o processo eleitoral transparente?


Diego Aranha: No Brasil, utilizamos um sistema de votação com registro puramente eletrônico dos votos. Uma consequência direta desse fato é que tanto o sigilo do voto quanto a compatibilidade entre os resultados da eleição e a intenção do eleitorado dependem diretamente da qualidade do software de votação e de sua resistência contra manipulação por agentes internos e externos. Dessa forma, o aprimoramento do sistema passa não apenas pelo incremento de segurança do software de votação e de seus processos de auditoria, mas também da implantação de mecanismos que permitam ao eleitor verificar se o sistema registra sua intenção corretamente. Isso deve acontecer a partir de 2018, quando o TSE começará a implantar o voto impresso em 6% das urnas eletrônicos. É importante acompanhar esse processo para ver qual será o impacto no sistema. 

Também descobrimos que os mecanismos que protegem o software contra manipulação sofriam de falhas de projeto fundamentais. Todas as urnas compartilham o mesmo segredo para proteger o software de votação e isso está diretamente inserido no código-fonte do equipamento. Então, tem ao menos 500 mil cópias dessa informação às claras em cartões de memória, não dá nem para chamar isso de segredo. Mas não tivemos tempo de realizar um ataque em tempo real sobre essa vulnerabilidade, nos deram apenas três dias. Dois dias ficamos realizando ataques no sigilo do voto e o terceiro para montar o relatório e negociar com o TSE o que entraria no relatório. Então, tiveram vulnerabilidades que descobrimos, não atacamos ou exploramos, mas documentamos. 


TecMundo: E depois de tudo isso as urnas passaram por alguma atualização? 


Diego Aranha: Sim, o software mudou. Fisicamente é praticamente a mesma urna, mas algumas coisas mudaram. Em 2012, havia dois modelos principais: um que não tinha um módulo de segurança em hardware e outro que tinha esse módulo, mas não era usado para tarefas importantes. Esse módulo gera números aleatórios, exatamente para realizar esse embaralhamento de maneira segura; e também há um espaço para armazenar chaves para encriptar a mídia de maneira segura, mas não era usado assim... com o aparente argumento de que "se nem todas as urnas têm, nenhuma pode usar", o que não faz qualquer sentido em termos de segurança. 

Desde então, a fração das urnas com esse módulo em hardware com certeza aumentou. As urnas antigas vão saindo de operação e as novas já têm esse recurso. É claro que, entendo e acredito, que o TSE integrou alguns desses mecanismos, que já estavam lá e já haviam sido comprados, nas versões mais novas do software. Eu não tenho evidências disso, mas seria algo natural — foi até o que recomendamos no relatório. Todos esses equipamentos são custeados por impostos, é o mínimo que podem fazer. 


TecMundo: Os hackers estão cada vez mais jovens e o hacker brasileiro tem um certo costume de invadir sites por diversão, mesmo que falte um conhecimento técnico alto como atacante. Chegando para as urnas, é fácil se tornar um atacante desse sistema em específico? 


Diego Aranha: O que observamos é o seguinte: os mecanismos de segurança que estavam no sistema não ofereciam custo proibitivo para algum atacante minimamente sofisticado. Um atacante de eleições é um atacante muito bem equipado, politicamente e financeiramente, tanto que possuem milhões para comprar votos. 


Evidentemente eu também não sei se os atacantes de eleições brasileiras, como os políticos da velha guarda, possuem interesse real em fraudes tecnológicas. Eles têm vencido eleições do jeito antigo desde que o Brasil é Brasil. Não temos como especular. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que não deveríamos estar nessa posição, até porque do ponto de vista custo-benefício, é um ponto tentador de ataque. Se você compromete alguém, por exemplo, que esteja dentro do TSE para escrever software que vai roubar votos para alguém, isso tem (em tese) custo muito mais barato do que comprar 100 mil votos em uma cidade. É um ponto tentador de ataque, que concentra risco. Eu não sei se os partidos e os políticos já perceberam ou se preocupam com isso, até porque eles encontram outras formas de ganhar eleições. Mas o que é evidente é o seguinte: infelizmente, temos uma comunidade muito profícua em produção de software malicioso e fraude financeira. As condições técnicas, caso sejam transportadas para as eleições, estão lá — ou estavam lá em 2012. 

TecMundo: Ocorrem outros tipos de fraude? 

Diego Aranha: Nós temos outros tipos de fraude menos tecnológicas nas eleições brasileiras, mas se fala pouco a respeito. A fraude do mesário, em que ele vota no lugar de pessoas que não foram votar. Então, quando a pessoa justifica a falta, percebe-se posteriormente que já votaram no lugar dela. Esse tipo de coisa acontece. Isso porque os mesários também concentram risco nas eleições, eles têm acesso privilegiado ao equipamento. 

TecMundo: Mas como isso acontece, especificamente? 

Diego Aranha: O mesário opera o equipamento e um eleitor que justificou o voto, por estar em outra cidade, observa posteriormente que o voto foi computado para o título de eleitor dele. O Tribunal Superior Eleitoral fez um cruzamento recentemente e acharam um volume, se não me engano, de dezenas de milhares de votos justificados, mas que receberam votos, que foram contabilizados. O TSE se manifestou de maneira inconclusiva, como se fosse uma questão dúbia. É evidente que foi uma fraude de mesários votando por pessoas que não foram votar. 

Então, temos fraude eleitoral no Brasil. Temos compra de votos, temos fraude de mesário, temos modalidades menos tecnológicas de fraude eleitoral que ainda não são devidamente discutidas. Há uma preocupação excessiva com a urna, até porque o equipamento representa maior risco, mas existe fraude eleitoral no Brasil. 

E quando a gente fala de dezenas de milhares de votos, estamos falando de algo decisivo em eleições de menor porte. Basta olhar para as recentes e diferentes eleições, como os resultados estão cada vez mais divididos e ao mesmo tempo apertados, como a eleição presidencial passada. Isso pode interferir nos resultados de uma eleição. 

TecMundo: Fraudes menores passam despercebidas, certo? E com as eleições cada vez mais apertadas, isso pode fazer uma grande diferença... 

Diego Aranha: As pessoas quando pensam em fraude, pensam em um cenário fictício e espetaculoso para uma fraude eleitoral. Mas, na verdade não é isso, às vezes são 500 votos que separam o primeiro do segundo turno. Aí tem um escândalo de corrupção prestes a estourar que vai fazer o candidato perder a eleição no segundo turno. Se ele consegue resolver ainda no primeiro, a vantagem é enorme. Então, sim, pode ser uma fração bem pequena de votos que decide os resultados. 

Você apontou muito bem: a eleição presidencial passada e as nossas eleições daqui para frente serão muito polarizadas. A sociedade está se polarizando cada vez mais e fica cada vez mais complicado resolver disputas em resultados eleitorais, por isso transparência é tão importante. 

As nossas eleições sempre vão ser muito disputadas. Se não tivermos um sistema minimamente auditável e transparente, isso só dificulta e atrapalha as coisas. 

TecMundo: E o que poderia ser feito para aumentar a segurança das urnas e também tornar o processo eleitoral transparente? 


Diego Aranha: No Brasil, utilizamos um sistema de votação com registro puramente eletrônico dos votos. Uma consequência direta desse fato é que tanto o sigilo do voto quanto a compatibilidade entre os resultados da eleição e a intenção do eleitorado dependem diretamente da qualidade do software de votação e de sua resistência contra manipulação por agentes internos e externos. Dessa forma, o aprimoramento do sistema passa não apenas pelo incremento de segurança do software de votação e de seus processos de auditoria, mas também da implantação de mecanismos que permitam ao eleitor verificar se o sistema registra sua intenção corretamente. Isso deve acontecer a partir de 2018, quando o TSE começará a implantar o voto impresso em 6% das urnas eletrônicos. É importante acompanhar esse processo para ver qual será o impacto no sistema.





(*) Felipe Payão @felipepayaoCybercrime reporter. Repórter em @Tec_Mundo

Fonte: TecMundo


Veja também: 

terça-feira, setembro 19, 2017

Imigração ilegal cai 99% na Hungria com construção de muro.



por Natan Falbo.




A Hungria reduziu a imigração clandestina em mais de 99%, depois de lançar uma série de poderosas cercas de fronteira em resposta à crise dos migrantes europeus, o que favorece ideia da construção de um muro nos EUA como prometido por Trump.

Para selar a fronteira da Hungria com a Sérvia – que também é uma fronteira externa de acesso a União Européia – o primeiro-ministro Viktor Orbán, o assessor de segurança, György Bakondi, anunciaram que as cercas foram responsáveis pela queda da imigração ilegal de 391 mil em 2015, para 18.236 em 2016 e para apenas 1.184 em 2017.

“O sistema de barreiras é a chave para o sucesso da segurança nas fronteiras, sem ele, seria impossível conter a chegada em massa de imigrantes”, explicou o chefe de segurança.

A Hungria teve que responder rapidamente ao fluxo imigratório que explodiu na Europa depois que a Alemanha de Angela Merkel anunciou que não haveria “limites” sobre o número de requerentes de asilo, que seu próprio país aceitaria, por isso as fronteiras da Hungria são defendidas por cercas gêmeas salpicadas de torres de vigia e patrulhadas por milhares de guardas de fronteira recém-recrutados, em vez de um muro de concreto – o que teria levado mais tempo para construir.

Os húngaros introduziram essas zonas depois de descobrirem que muitos dos terroristas de Paris 2015 passaram por seu território – uma posição radical em comparação a outros Estados membros da UE, que aceitam massivamente os imigrantes, com consequências às vezes mortíferas, em obediência a Lei da UE.

“Existe uma pressão de migração contínua em nossas fronteiras”, insistiu o Dr. Zoltán Kovács, o Secretário de Estado de Diplomacia Pública e Relações.

“As medidas introduzidas no interesse de proteger a fronteira continuam a ser necessárias; É graças a isso que o número de migrantes que entram ilegalmente na Hungria caiu drasticamente”.

Contra o Globalismo

No entanto, como tem sido reforçada de forma constante, a migração ilegal diminuiu para um gotejamento – desencadeando a ira de ativistas das fronteiras abertas como o bilionário George Soros e funcionários globalistas da União Européia e das Nações Unidas.

Por exemplo, o chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, visitou a fronteira e reclamou:

“Quando eu estava de pé na cerca da fronteira hoje, senti que todo o sistema foi projetado para manter as pessoas, muitas das quais estão fugindo da guerra e da perseguição, fora do país”.

Em resposta o assessor de segurança, György Bakondi disse “As pessoas que atacam nossa cerca estão assumindo uma posição a favor de permitir que um grande número de pessoas entre no país sem qualquer tipo de controle”.

Polônia e Hungria mantêm-se firmes contra a nova Lei de imigração da UE. Ambos recusaram-se em aceitar suas “cotas” imigratórias.




Fonte:conservadorismodobrasil.com.br



Ultraconservadores do mundo, uni-vos!







por Ana Paula Henkel(*).



Acabo de descobrir pela imprensa que sou ultraconservadora. Extrema-direita conservadora fundamentalista com visões radicais contra minorias e direitos conquistados com muita luta contra o patriarcado. Meu crime: questionar a exibição de imagens pornográficas para crianças. Minha culpa, minha máxima culpa.

Quem é você, sua jogadora de vôlei, para dar palpite sobre arte? Bola fora! Gente ultraconservadora como você deve ser apedrejada na rua em nome da tolerância! Ultraconservador nem gente é. Um outro mundo, sem esse pessoal preconceituoso, é possível. Depois do apedrejamento, é só abraçar uma árvore e seguir espalhando o amor.

Entendo os companheiros engajados e lacradores da imprensa e do ativismo bem patrocinado, especialmente quando o assunto envolve bancos tão generosos ao investir em, digamos, arte. Sim, já entendi que arte é o que disserem que é arte, mesmo que, aos meus olhos ultraconservadores, reacionários e caretas, pareça apenas pornografia barata.


Li por aí que há gays indignados com a associação tácita feita pelos defensores do banco, remunerados ou não, entre homossexualismo e a polêmica sobre as imagens explícitas mostradas numa exposição direcionada para crianças. Seriam homossexuais ultraconservadores e homofóbicos? Gay que não pensa como autorizado pela cartilha progressista é muita autonomia e liberdade, onde vamos parar?

Os especialistas consultados nas reportagens dizem que liberal é aquele que libera geral e pronto. É proibido proibir e infância é uma mera construção social, é você quem decide qual é a sua idade. A ideologia de data de nascimento chegou para ficar e precisamos lutar contra o preconceito. Se uma criança de quatro anos se identifica como um adulto de trinta e quiser ver pornografia, quem é você, seu ultraconservador, para se meter?

Em tempos de pós-verdade, os torquemadas das redações julgaram, num rito sumário e sem direito de defesa, que retrógrados medievais como eu não precisam ter liberdade de expressão e nem podem participar do debate público. A mesma liberdade que defendem para a exposição negam a mim, mas quem disse que direitos iguais incluem ultraconservadores?

Fomos chamados de censores quando apoiamos um boicote. Fomos criticados por sermos contra nudez nas artes quando combatíamos a exibição de conteúdo impróprio sem classificação indicativa. Vale tudo pelo lacre e os fatos não podem atrapalhar a narrativa.

Como sou um caso perdido, talvez minha saída seja fundar um movimento ultraconservador e assumir meu lado de defensora das trevas de vez. Meu radicalismo de direita deve ser influência da Califórnia, onde moro há alguns anos, um enclave de fundamentalistas religiosos que queimam hereges nas ruas. Neste domingo, quando os californianos ultraconservadores do Red Hot Chili Peppers tocarem no Rock in Rio, lembrem de mim e rezem pela minha alma.

Jacobinos, pioneiros na defesa da tolerância, diziam que o homem só seria livre quando o último rei fosse enforcado com as tripas do último padre. Cabeças rolaram, outros jacobinos vieram, mas os ultraconservadores extremistas e radicais continuam por aí dizendo que crianças não devem, sob qualquer pretexto, serem expostas a imagens de sexo explícito. Novas guilhotinas já foram encomendadas.

O assassinato de reputações continua, assim como a motivação dos ultraconservadores de impedir o futuro progressista em que as crianças saiam das garras dos pais e possam ser educadas pelo Estado sem interferência da família. O socialismo agora começa com a socialização dos nossos filhos.

O pacote progressista inclui a renúncia fiscal para que curadores, sem trocadilhos por favor, decidam a idade com que seus filhos devam ser iniciados nestas, digamos, artes. E se você reclamar, já sabe: ultraconservador!






(*)https://twitter.com/AnaPaulaVolei - @AnaPaulaVolei
Brazilian pro-volleyball player, 4 @Olympics,Olympic Medalist, 2 Time World Champion.Architect-to-be @UCLA.Conservative, sports fanatic. Apaixonada pelo Brasil.


Fonte: Blogs Estadão (politica.estadao.com.br)

segunda-feira, setembro 18, 2017

Até onde a imprensa vai para atacar um desafeto como Bolsonaro?








por Lucas Berlanza (*).




Por esses dias, tivemos acesso a um artigo publicado no The New York Timescom o título The End of the Left and the Right as We Knew Them. A tese principal do autor, o jornalista e acadêmico “liberal” (da esquerda americana) Thomas Edsall, é de que as divisões políticas tradicionais seriam insuficientes para dar conta do quadro contemporâneo, em que as principais divisões se centrariam, grosso modo, em uma espécie de nacionalismo de modos tradicionais, nalguns países majoritariamente rural, presa de um populismo avesso ao cosmopolitismo; e uma esquerda “bem-formada, educada, instruída e prafrentex”, aberta a abraçar todo tipo de causa nomeadamente progressista.

A despeito de todos os preconceitos (no sentido mais negativo do termo), da ausência mal-intencionada de nuances e do proporcional excesso de simplificações, o texto de Edsall sugere um ponto digno de reflexão: o descolamento de uma certa elite intelectual (e mesmo econômica) dos sentimentos e referenciais simbólicos, culturais e políticos da população em geral, algo que assumiu contornos de ampla alienação. Tal descolamento levou ao horror e à surpresa, por exemplo, diante da eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos – mas não sem antes um dos principais canais de veiculação das agendas dessa “elite”, a grande imprensa, disseminar uma série de “notícias” de toda sorte distorcendo, exagerando ou por vezes até inventando afirmações falsas sobre o presidente.

O mal das fake News não se limita aos Estados Unidos. Pense-se o que se queira a respeito de lideranças como Trump, a imprensa pode ser tão ou mais perigosa quanto um político à testa do Estado a partir do momento em que consideramos sua prerrogativa forjar historietas para difamar seus desafetos. Antes que certas imaginações afetadas pelas mesmas sensibilidades idiossincráticas alastradas em meio a essa “elite intelectual-econômica” nos acusem de estímulo à censura, como a histeria as tem levado a fazer em relação a certos episódios, estamos apenas apontando um fato preocupante. Considerando que para muitos, embora felizmente cada vez menos numerosos, a grande imprensa ainda detém o poder de estabelecer a verdade, e mesmo nós, pessoalmente, na pressa, já incorremos em nossos enganos graças a ela, é uma realidade gravíssima para a qual devemos estar atentos, também em nosso país.

Jair Bolsonaro, cotado para concorrer à presidência da República, esteve em Minas Gerais, onde, falando ao público, enfatizou suas conhecidas bandeiras, como o combate ao desarmamento, a “exploração das nossas riquezas” e o enfrentamento das hipocrisias dos militantes de entidades que se dizem defensoras dos “direitos humanos”. A imprensa repercutiu a sua presença por lá, mas da pior maneira possível: distorcendo e descontextualizando o que disse. Como infelizmente temos que ser muito pedagógicos e redundantes nos dias que correm, insistimos: fosse Bolsonaro, Caiado, Doria ou até mesmo o Lula o personagem envolvido, por menos apreciado ou respeitável aos nossos olhos, precisamos reagir ao embuste. Neste caso, os canais e páginas liberais e conservadores, dentro de suas possibilidades, têm o dever de retificar o que é espalhado por essas redações onde escasseia o caráter, se quiserem dar testemunho de seus valores.

O Globo, o Yahoo, o Hoje em Dia, o Estado de Minas e, obviamente, o Brasil 247, para ficar nos exemplos que encontramos até o momento, reproduziram como notícia uma declaração de Bolsonaro dando conta de que ele prometeu aos mineiros a patética e surreal medida de criar uma abertura do estado para o mar. “Vamos explorar nossas riquezas, quem sabe até abrindo uma saída pro mar para Minas Gerais. Nós vamos satisfazer o desejo do mar de ganhar Minas, podem ter certeza disso”, teria dito o parlamentar.

Realmente, Jair Bolsonaro disse essas palavras. Porém, como poderá constatar quem assistir ao vídeo (logo abaixo), aguardou as gargalhadas para complementar “brincadeiras à parte”. Ninguém que assista a esse registro dos fatos poderá testemunhar que Bolsonaro falava sério, a não ser que: 

1) tenha seríssimas deficiências cognitivas e desconheça o conceito de “piada”; ou 
2) seja desonesto.





Nota do Blogando Francamente:
Marco Antonio Villa, o professor, comentarista da Jovem Pan (junto com Joseval Peixoto) tomaram a "fake news" da saída para o mar como verdadeira, sem evidentemente terem visto o vídeo, baseando-se em noticia do Globo ou agindo de má fé.


É estarrecedor que tantos jornalistas, de veículos diferentes, tenham compartilhado uma interpretação tão primariamente equivocada; o automatismo na pretensão de ridicularizar uma figura indesejável se sobrepôs, sem a menor ética, à preocupação com averiguar os acontecimentos – ou, no caso de quem esteve efetivamente no local e veiculou a informação, ficou claro que temos muitos repórteres enquadrados nos dois problemas acima mencionados, no mínimo danosos ao ofício.

Apesar da persistência nas mentiras por parte da imprensa ser uma seríssima constatação, na experiência americana, isso acabou fortalecendo o seu alvo. Essa consequência provou que os “toscos e caipiras” aos quais sub-repticiamente se refere a análise de Edsall estão, em significativa parcela, cansados dessa fina elegância revestindo as mentiras mais sórdidas. Edsall encerrou seu artigo como que dizendo que a esquerda precisa aprender a falar um tanto mais a esse “povão” para voltar a ganhar espaço – ou seja, basicamente lhe deu um conselho. Achamos que seria decente acrescentar que essa “esquerda iluminada” nas redações de jornal deveria simplesmente parar de mentir, principalmente porque, hoje em dia, não é mais tão difícil apanhá-la em suas travessuras.


(*)Lucas Berlanza - Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é carioca, editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.

Fonte: institutoliberal.org.br

domingo, setembro 17, 2017

Projeto da ONU promove feminização de homens no Brasil






por Natal Falbo.



O projeto Homens Tambem Cuidam promovido pela ONU através do Fundo de População das Nações Unidas em parceria com o Instituto Papai tem como intuito a reeducação de meninos.


Segundo a postagem da própria UNFPA Brasil em postagem no Facebook “O processo de educação dos meninos com reações de agressividade, sob o argumento de que “isso é para ele aprender a ser homem” pode promover estilos de vida violentos e autodestrutivos.“



O material em forma de livreto é de fato um propulsor da engenharia social globalista, na página 5, consta ” […] enquanto os homens seriam os guardiões da honra e da ordem no lar. Isso mudou! Hoje, a família é considerada um grupo de pessoas unidas por laços de afeto e de cuidado mútuo.“

O primeiro elemento a ser desconstruído é a figura masculina do guardião da honra e da ordem do lar. O segundo é a instituição familiar que passa a ser considerada como um grupo, ou seja, um aglomerado de pessoas.
Em seguida é exposto uma argumentação básica para conduzir o leitor a uma reflexão sobre a reedução masculina.



Note o grifo das setas em vermelho na imagem, “Homem e mulher NÃO são sexos opostos“, “As mulheres são educadas para cuidar mais dos outros e menos de si“, “É preciso rever a educação e socialização dos meninos“. Estes três pontos chaves mesclam-se com os demais, apresentados logo a baixo.

O importante a ser ressaltado é que todo processo de engenharia social procura mesclar conceitos desconstrucionistas a outros. Por exemplo, temos três conceitos reais como “Cuidar também faz bem à saúde”, “Gravidez é assunto de homem também”, “Pai não é visita”. Desta forma o mediador tem maior facilidade para remodelar o pensamento de quem é alvo do experimento. Um conceito novo sempre será apresentado junto a um elemento antropológico. O intuito é promover uma mudança silenciosa, porem permanente.

O descontrutivismo é aplicado assimetricamente dentro de cada quadrante. Observe a problematização no “Cuidar também faz bem à saúde de quem cuida”, “[…] a exigência da cultura machista se processa em duas direções: exige-se da mulher um ótimo desempenho no plano afetivo – “amor de mãe” ou “instinto maternal” – e, do homem, cobra-se principalmente a responsabilidade financeira – “não deve deixar faltar nada em casa”. Aos homens não cabe apenas a garantia de sustento da família. Homens também cuidam!”.


1º aspecto é massificar a ideia de que o homem é machista.

2º aspecto é dualizar a visão do homem machista: a mulher é a cuidadora e o homem é o provedor.


Essas preposições são usadas para que o leitor tenha experiência de que o sentido natural da feminilidade maternal é fruto do machismo enquanto o próprio homem torna-se uma vítima. condenado a ser o provedor.

Todo o material foi produzido para quebrar laços antropológicos e instaurar uma nova cadeia de valores.

No fim é apresentado uma síntese de tudo, na cartilha, apontado como “Outros pontos de vista sobre o cuidar”.
O Instituto Papai - É uma instituição mantida com apoio de ONGs globalistas, tais quais:
  • OAK Foundation 
  • Fundação Bernard Van Leer 
  • Fundação Ford 
  • MenEngage Alliance
Além de órgãos oficiais:
  • Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministerio da Saúde/ Governo Federal 
  • FACEPE – Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia de Pernambuco 
  • Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA – ONU) 
  • OPAS – Organização Panamericana da Saúde 
  • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 
  • Conselho Regional de Psicologia (CRP 02) 
  • Conselho Federal de Psicologia (CFP)
O instituto de cunho político, feminista, LGBT e educacional têm como missão a reeducação masculina. Uma educação feminista para homens.


Em outro projeto chamado ‘HOMENS, SAÚDE E VIOLÊNCIA DE GÊNERO‘ (2013) identifica o homem como parte de um modelo machista e patriarcal que mantém a desigualdade entre homens e mulheres, por conseguinte, o homem é o protagonista mor da violência contra a mulher e com saúde debilitada.
“O modelo cultural machista e patriarcal tem levado à manutenção da desigualdade de poder na relação entre homens e outros homens e entre homens e mulheres. Esse modelo se reflete nos dados estatísticos de violência, em especial a violência dos homens contra as mulheres, sobretudo no Brasil, leva-os a viverem menos que as mulheres, fazendo-os adoecerem ou morrerem, especialmente por “causas externas” (que incluem a violência, acidentes de trânsito, entre outros) e não apenas por câncer de próstata ou de pênis.” (Instituto Papai – Homens, Saúde e Violência de Gênero, 2013).


O Instituto também mantém as parcerias:
  • Gema/UFPE: Núcleo de Pesquisas em Gênero e Masculinidades tem por objetivo desenvolver ensino, pesquisa e extensão universitária, a partir do enfoque feminista de gênero. 
  • ABONG: A Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais. 
  • Fórum de Mulheres de Pernambuco: Articulação de extrema esquerda feminista de âmbito estadual. 
  • Fórum LGBT-PE: Fundado em Recife em abril de 2004, é uma articulação política dos movimentos sociais. 
  • Articulação Aids de Pernambuco: primeiro fórum de articulação política do movimento de luta contra a AIDS no Brasil. 
  • Rede Nacional Primeira Infância: articulação nacional de organizações da sociedade civil, pela promoção e garantia dos direitos da Primeira Infância. 
  • Men Engage: Aliança global formada por redes e instituições de diferentes países nas cinco regiões do mundo que trabalham coletivamente para o avanço da justiça de gênero. 
  • RHEGA: Rede que congrega um conjunto de organizações da sociedade civil que atuam na promoção dos direitos humanos, com vistas a uma sociedade mais justa com equidade de direitos entre homens e mulheres.
Fonte: Conservadorismodobrasil.com.br

                 
                 A Meninização e Feminilização do Homem Cristão

sexta-feira, setembro 15, 2017

Nos cinemas: as impactantes conclusões da pesquisa de Lee Strobel sobre a vida de Jesus Cristo



por Rodney Eloy(*).




Para salvar seu casamento, um ateu tenta provar se Cristo realmente era o filho de Deus na adaptação cinematográfica do bestseller “Em Defesa de Cristo” (1998). O drama cristão está enviando ondas de choque religiosas em toda parte. Mas qual é a verdadeira história por trás do filme “Em Defesa de Cristo”que estreia hoje, 14 de setembro, no Brasil? Vamos investigar.

Vale citar o parecer do Arcebispo de Washington, Donald William Wuerl: “Em Defesa de Cristo nos convida e nos envolve através de uma experiência intelectual e uma jornada de fé. Começa com a esperança de refutar a história de Jesus, a Cruz e a Ressurreição, e termina apenas por encontrar o poder redentor do amor de Deus”.

Lee Patrick Strobel, formado em jornalismo pela Universidade de Missouri e mestre em Direito pela Universidade de Yale, foi jornalista investigativo premiado e editor do Chicago Tribune. Ateu militante, Strobel aplica suas habilidades jornalísticas e jurídicas para tentar refutar a nova fé cristã de sua esposa, Leslie, causa de problemas em seu casamento, à medida que Leslie se move cada vez mais para uma vida cristã. O relacionamento dos dois, outrora forte, enfrenta grandes obstáculos devido ao ressentimento de Lee diante da fé de Leslie. Ele passa a ver Jesus Cristo como “o outro homem” da relação, e com isso descreve o momento tumultuado que enfrenta. No entanto, perseguindo a maior história da sua carreira, ele se defronta com resultados inesperados que podem mudar o que ele acreditava ser a verdade. E a jornada investigativa de Strobel termina por alterar os rumos da sua vida. Depois de completar uma pesquisa minuciosa após quase dois anos, ele encontra as evidências históricas de Jesus, e então encontra a fé em Cristo.

“Passei toda a minha carreira como jornalista, descobrindo a verdade, até o dia em que minha esposa me apresentou a maior história da minha vida”, explicou Strobel, que também é o produtor do filme.

“Em Defesa de Cristo” (The Case for Christ, 2017), é dirigido por Jon Gunn. Mike Vogel (“Under the Dome”) interpreta Strobel e Erika Christensen (“Parenthood”) como Leslie. Faye Dunaway, vencedora do Oscar, interpreta uma psicóloga que Strobel visita durante sua investigação.



Conhecendo um pouco da obra que deu origem ao filme
“Lee Strobel faz perguntas que um cético ferrenho faria e oferece respostas convincentes a todas elas. Todo pesquisador deve ter e estudar este livro.” Phillip E. Johnson (Escritor e Professor de Direito da Universidade da Califórnia)

O autor rejeita respostas forjadas ou simplistas e apresenta apresenta o testemunho de dezenas de especialistas dentre os mais conceituados do mundo, onde analisa as seguintes evidências:

– Históricas: Temos documentos confiáveis sobre a vida, os ensinos e a ressurreição de Cristo?

– Científicas: Existe fundamentação arqueológica para os relatos sobre Cristo? Ele operou milagres?

– Psiquiátricas: Cristo realmente afirmou ser Deus? Qual a prova de que ele se enquadra no perfil de Deus?

– Digitais: O que a profecia bíblica tem a dizer a respeito de Cristo?

– E outras: A morte de Cristo, o corpo não encontrado, os relatos de testemunhas oculares sobre encontros com ele.

Sumário:

Introdução: Reabrindo a investigação de toda uma vida

Parte 1: Analisando os dados

1 – As provas das testemunhas oculares. Pode-se confiar nas biografias de Jesus? com o Dr. Craig Blomberg

2 – Avaliando o testemunho ocular: As biografias de Jesus resistem à investigação minuciosa? com o Dr. Craig Blomberg

3 – A prova documental: as biografias de Jesus foram preservadas de modo confiável? com o Dr. Bruce Metzger

4 – A prova corroborativa: Existem evidências confiáveis a favor de Jesus além de suas biografias? com o Dr. Edwin Yamauchi

5 – A prova científica: a arqueologia confirma ou contradiz as biografias de Jesus? com o Dr. John McRay

6 – A prova da contestação: O Jesus da História é o mesmo Jesus da fé? com o Dr. Gregory Boyd

Parte 2: Analisando Jesus

7 – A prova de Identidade: Jesus estava realmente convicto de que era o Filho de Deus? com o Dr. Ben Witherington

8 – A prova psicológica: Jesus estava louco quando afirmou ser o Filho de Deus? com o Dr. Gary Collins

9 – A prova do perfil: Jesus apresentou os atributos de Deus? com o Dr. D. A. Carson

10 – Prova das impressões digitais: Jesus – e só ele – enquadra-se no perfil de Messias? com Louis Lapides, Th.M.

Parte 3: Pesquisando a ressurreição

11- A prova Médica: A morte de Jesus foi uma fraude e sua ressurreição, um logro? com o Dr. Alexander Metherell

12 – A prova do corpo desaparecido: o corpo de Jesus realmente desapareceu do túmulo? com o Dr. William Lane Craig

13 – A prova das aparições: Jesus foi visto vivo depois de sua morte na cruz? com o Dr. Gary Habermas

14 – A prova circunstancial: existem fatos secundários que apontam para a ressurreição? com o Dr. J. P. Moreland

Conclusão: O veredicto da História : O que as provas indicam – e o que elas significam hoje?

Referência:
Strobel, Lee. Em Defesa de Cristo: um jornalista ex-ateu investiga as provas da existência de Cristo. São Paulo: Vida, 2017.

Fonte: Midiasemmascara.org(*)Rodney Eloy, bibliotecário, é colaborador do Mídia sem Máscara


quinta-feira, setembro 14, 2017

Boas notícias, meu povo feio: agora somos todos pós-bonitos






por Ricardo Bordin(*).





Eleger determinados extratos sociais supostamente desfavorecidos, sob um ponto de vista qualquer; apontar certos grupos de indivíduos como detentores de privilégios e responsáveis pelo sofrimento dos primeiros; gerar, desta forma, conflito e instabilidade no seio da sociedade; oferecer-se como mediador e defensor dos fracos e oprimidos; alegar que necessita, para realizar tão nobre missão igualitarista, concentrar muito poder e recursos financeiros extraídos do setor produtivo em suas mãos; usar tais prerrogativas para criar regramentos esquizofrênicos e implantar tributações que tornam o ambiente de negócios extramente viciado – no sentido de favorecer empresários com “boas relações” e impossibilitar que a concorrência lhes ameace.

Esta tática de Divide et Impera, isto é, Dividir e Conquistar, é tão antiga quanto o império romano, mas nunca sai de moda. Há sempre o embate da vez fomentado por aqueles que veem nas massas de manobra – aquelas pessoas que se deixam levar por uma onda filosófica qualquer sem se dar ao trabalho de investigar suas origens, agindo por impulso revolucionário e alienando sua própria consciência – os instrumentos necessários à legitimação de suas odiosas pretensões disfarçadas de “progressismo”.

Nesta esteira, nos acostumamos a ver operários sendo atiçados contra patrões, negros contra brancos, esposas contra maridos, homossexuais contra heterossexuais, dentre tantas outras dicotomias artificialmente criadas entre povo e contra-povo, como bem definiu Gloria Álvarez em sua obra sobre o populismo bolivariano.

Mas tudo tem limite: opor pessoas feias e bonitas já é apelar demais – para não dizer que é hilário, com todo respeito aos “prejudicados no quesito face”, como dizia um amigo. Bem-vindos todos a era da pós-beleza, tema deste “trabalho” de publicidade produzido por um blog do UOL:



Este freak show exibido pelo UOL nada mais é do que outro desdobramento da deturpação de valores característica desta geração de seres humanos mimados pelo conforto advindo do capitalismo.
No mesmo blog, aliás, é possível deparar-se até mesmo com vitimização de pedófilos.

Observem a que ponto chega o relativismo de concepções, o desprezo pela realidade material: não há mais certo ou errado, melhor ou pior, e nem mesmo bonito ou feio – a menos que a ordem para enxergar beleza em alguma coisa tenha partido de pessoas “preocupadas com a diversidade”, claro: daí pode ser o cão chupando manga que vira lindo de morrer do dia para a noite.

Os entrevistados deixam clara sua preocupação em serem “diferentes”, ou então “meio errados”, como afirma um deles. Quase todos (com exceção da linda moça “reaça”) demonstram orgulho de dizer que “não estão nem aí para os outros”, mas gastam horas e horas na frente do espelho para, justamente, deixar o seu visual o mais estranho possível. Eis aí a demonstração prática da ideia de Supervalorização da Racionalidade nas Escolhas formulada por Theodore Dalrymple:

Não causa surpresa, pois, que as pessoas concluam que um costume qualquer não deveria ser ridicularizado ou descartado em razão de sua conteúdo particular, mas simplesmente por ser um costume e, portanto, deletério – ex officio, por assim dizer. Essa conclusão seria em muito fortalecida pelo elogio contemporâneo à originalidade, ou seja, aos esforços de uma pessoa meramente para se fazer diferente – não para ser melhor em algo, mas apenas para ser diferente. Aqui, de forma muito clara, temos um preconceito contra o preconceito.

Vale dizer: o conceito de clássico resta totalmente invertido, na medida em que deixa de ser aquilo que sobreviveu ao teste do tempo e foi aprovado e transmitido adiante por muitas gerações como algo a princípio bom, para passar a ser algo que merece ser desmoralizado pelo simples fato de ter sido herdado de nossos ancestrais – ainda que tal tradição se mostre benéfica. A verdade, neste contexto, passa a ser também apenas uma questão de ponto de vista – ótimo para defensores de ideologias que não deram certo uma única mísera vez na história.

Roger Scruton, em sua obra Por que a Beleza Importa, argumenta que a beleza não é apenas uma questão de gosto puramente subjetivo, mas algo que dá sentido à vida, que nos conduz momentaneamente a planos morais e espirituais superiores:

“Em qualquer época entre 1750 e 1930, se você pedisse às pessoas cultas para descrever o objetivo da poesia, da arte ou da música, elas teriam respondido: a Beleza. E se você perguntasse pela razão disso, você aprenderia que a Beleza é um valor, tão importante quanto a Verdade e o Bem. Depois, no século XX, a beleza deixou de ser importante. A arte, cada vez mais, concentrou-se em perturbar e em quebrar tabus morais. Não era a beleza, mas a originalidade, conseguida por qualquer meio e a qualquer custo moral, que ganhava os prêmios.

Não apenas a arte fez um culto à feiura; a arquitetura também se tornou desalmada e estéril. E não foi somente o nosso ambiente físico que se tornou feio. Nossa linguagem, nossa música e nossas maneiras estão cada vez mais rudes, egoístas e ofensivas; como se a beleza e o bom gosto não tivessem nenhum lugar real em nossas vidas. […] Eu acho que nós estamos perdendo a beleza e há um risco de que, com isso, nós percamos o sentido da vida.”

Edmund Burke, em Uma Investigação Sobre a Origem de Nossas Ideias do Sublime e do Belo, assim definiu a beleza:

Chamo a beleza de uma qualidade social, porque toda vez que a contemplação das mulheres e dos homens, e não somente deles, quando a visão de outros animais nos proporciona uma sensação de alegria e de prazer (e há muitos que causam este efeito), somos tomados de sentimentos de ternura e de afeição por suas pessoas, gostamos de tê-las ao nosso lado e iniciamos de bom grado uma espécie de intimidade com elas, a menos que tenhamos fortes motivos para o contrário.

Mas tudo isso, aparentemente, virou démodé. O lance agora é chocar, é surpreender, é aplicar um susto – e olha que neste comercial do UOL eu levei alguns, viu? No episódio recente da exposição profana, pedófila, zoófila e de péssimo gosto organizada pelo Santander e bancada com dinheiro do pagador de impostos ( cuja resolução se deu sem demandar interferência estatal ou envolver episódios de violência, ensinando aos “antifascistas” como resolver as coisas feito adulto), alguns pândegos alegaram que “a arte sempre foi ofensiva”, como se artistas tivessem salvo conduto para incorrer em crimes em sua sanha de subverter a expectativa do interlocutor.


Sou bem mais a arte da minha sogra: ela não quer chocar os clientes que compram seus quadros, mas tão somente agradar suas vistas, provocar sentimentos positivos e acalmar-lhes a alma. E o resultado é de tirar o fôlego:










Este freak show exibido pelo UOL nada mais é do que outro desdobramento da deturpação de valores característica desta geração de seres humanos mimados pelo conforto advindo do capitalismo: o que representa a insignificante realidade diante da premente necessidade de ter os desejos atendidos? Se você nasceu ou é feio, portanto, basta exigir que lhe reconheçam como pós-bonito, e pronto – mesmo vivendo em uma época na qual tratamentos estéticos e de condicionamento físico são acessíveis a todos como nunca foram.

No mesmo blog, aliás, é possível deparar-se até mesmo com vitimização de pedófilos. Uma rápida pesquisa deixa claro o porquê desta orientação revolucionária ser tão presente no referido espaço virtual: o Universo Online faz parte do Grupo Folha, dono do jornal de mesmo nome que adora retratar policiais como bandidos, dentre outras presepadas típicas da esquerda pós-revolução cultural de 1968.

E agora? Vamos mandar queimar todas as cópias do best seller A Vida Sexual da Mulher Feia? Vamos retirar vídeos do cantor Falcão do Youtube? Que o façam, mas deixem pelo menos este aqui, como lembrança de uma época em que era sinal de bem-aventurança saber rir de si próprio: