quinta-feira, julho 20, 2017

Partido Liberal Sueco: Incesto e necrofilia devem ser legalizados







por Natan Falbo.




O incesto entre irmãos e necrofilia deve ser legalizado, argumentou a juventude do Partido Liberal Sueco (LUF Stockholm).

Os jovens do partido, em Estocolmo, votaram em uma reunião anual ocorrida em 2016 para uma moção de debates sobre a legalização do incesto e necrofilia.

Solicitando a revogação de várias leis contra o incesto entre irmãos e irmãs com mais de 15 anos de idade, além de permitir que as pessoas “sedeassem” seus corpos para relações sexuais após a morte sem que o haja punição para aquele que pratica o ato.

Cecilia Johnsson, presidente do partido em Estocolmo, disse ao jornal sueco Aftonbladet, que a legislação contra-incesto equivale uma “lei moral”, ou seja, não deveria ter valor constitucional, acrescentando ela complementou: “Estas leis não protegem ninguém agora”.

E continuo: “Eu entendo que [incesto] pode ser considerado incomum e nojento, mas a lei não pode criminalizar o que é nojento”.

O Partido também votou para apoiar a legalização de atos sexuais com cadáveres, desde que a pessoa tenha consentido enquanto ainda estava viva. Uma espécie de acordo necro-nupcial. 

O jornal Independent contatou a Sra. Johnsson para obter uma resposta.

Não é a primeira vez que propostas similares foram levantadas na Europa.

Em 2014, o Conselho Alemão de Ética também pediu o fim da criminalização do incesto entre irmãos, depois de examinar o caso de um homem preso por ter quatro filhos com sua irmã.

O conselho argumentou que o risco de incapacidade em crianças não era suficiente para garantir uma lei que colocasse os casais em “situações trágicas”, e que o incesto descriminalizado não alimentaria a propagação da prática, pois está é “muito rara”.

“A maioria do Conselho Alemão de Ética é de opinião que não é apropriado que uma lei penal preserve um tabu social”, disse em comunicado.

Uma porta-voz do partido CDU de Angela Merkel rejeitou a possibilidade de abolir a punição criminal na época.

Com informações de Independent, (*)Natan Falbo – Conservadores

Fonte:conservadorismodobrasil.com.br

quarta-feira, julho 19, 2017

Da sentença de Moro









por Carlos Andreazza(*).



É aula de reconstrução cronológica, preciosa e precisa em roteirizar o que se passou. A saber, porém, se definitiva também como peça condenatória


A sentença por meio da qual Sergio Moro condenou Lula precisa ser lida pelo brasileiro que quiser entender o país em que vive. Está tudo ali. O texto é obra-prima da interpretação; mas pretende desmontar — tecnicamente — a politização dos processos promovida tanto pela defesa do ex-presidente quanto pelo Ministério Público. Não terá sido tarefa fácil, dada a qualidade da denúncia que recebeu. Significativo é, pois, que o juiz se negue a tratar — explicitamente — de organização criminosa ao mesmo tempo em que a evidencia na costura de delações, testemunhos, documentos e circunstâncias. A sentença é aula de reconstrução cronológica, preciosa e precisa em roteirizar o que se passou. A saber, porém, se definitiva também como peça condenatória.

O ano-chave para se compreender a associação entre Lula e o tríplex é 2009. Ele ainda era presidente da República. Até 15 de setembro, Lula e Marisa haviam pagado 50 de 70 prestações relativas à aquisição de uma unidade simples no então Residencial Mar Cantábrico. O projeto imobiliário era da Bancoop, presidida por João Vaccari Neto, futuro tesoureiro do PT. Menos de um mês depois, em 8 de outubro, a Bancoop transferiria os direitos sobre o empreendimento à OAS — que o renomeou: Condomínio Solaris.

A partir de 27 de outubro de 2009, com prazo de 30 dias, os cooperados da Bancoop teriam de optar entre celebrar novo contrato, doravante com a empreiteira, ou pedir restituição de dinheiro. Lula e Marisa, entretanto, nem se manifestaram a respeito nem voltaram a pagar parcelas. Somente no final de 2015, com a Lava-Jato na rua — Léo Pinheiro, presidente da OAS, fora preso em novembro de 2014 — e a história já pública, formalizariam a desistência. No curso desses seis anos, jamais a construtora ou a cooperativa pressionaram para que se decidissem. No curso desses seis anos, contudo, o apartamento equivalente à unidade a que haviam aderido foi vendido. Apenas um imóvel do Solaris nunca seria posto à venda: o tríplex — que, conforme documentos da empreiteira, estava reservado.

Tragamos Vaccari de volta, elemento cuja ação obscura ilumina o entendimento da negociata pela qual Lula foi condenado; trama em que a propriedade no Guarujá é sobra — franja para agrado pessoal — do complexo corruptivo que sustentou o projeto de poder petista.

A OAS participou do esquema que saqueou a Petrobras durante os governos petistas. Em 2008, segundo relato de Léo Pinheiro, Vaccari o procurou para tratar do pagamento ao PT de 1% sobre o valor do contrato firmado para a construção da refinaria de Abreu e Lima. A operação ocorria — desde o início da gestão de Lula — sob a guarda de uma conta-propina do partido junto à empreiteira.



A transação por meio da qual o condomínio foi transferido à construtora não consistiu simplesmente num bom negócio objetivo para a OAS, mas em concerto que compunha o mutualismo criminoso em que se transformou, sob a administração petista, a relação entre Estado e iniciativa privada no Brasil, cujos expoentes são consultores como Palocci e campeões nacionais como Joesley Batista. Em 2009, quando das tratativas para transmissão do empreendimento, Vaccari contou a Pinheiro que havia uma unidade de Lula no condomínio, sugeriu que seria interessante à empreiteira assumi-lo, sobretudo em função da parceria entre a empresa e o partido, e informou que ao então presidente caberia o tríplex, muito mais caro — e não o imóvel simples pelo qual faltava pagar 20 parcelas.

Veio, no entanto, a já histórica reportagem do GLOBO, publicada em março de 2010, que — antes de existir qualquer investigação judicial — afirmava que o tríplex pertencia a Lula e Marisa. A notícia alarmaria Pinheiro, que procurou Vaccari e Paulo Okamotto. Queria saber sobre como proceder, uma vez que o imóvel ainda estava em nome da OAS. Deveria vendê-lo? Não. A determinação que recebeu foi para que o mantivesse reservado, oculto como patrimônio da construtora. Era ano eleitoral — e Lula trabalhava para eleger Dilma Rousseff. Aliás, sobre a transferência formal do apartamento, Vaccari e Okamotto sempre foram claros ao pedir que permanecesse em nome da empreiteira, com a qual o PT tinha sólida ligação, vínculo de confiança graças ao qual podiam prescindir de título de propriedade.



Só se voltaria a conversar a respeito em 2013, com o ex-presidente já recuperado do câncer. De uma reunião no Instituto Lula, em dezembro, derivariam a visita do casal ao tríplex, no início de 2014, e as obras no imóvel. O mais importante, porém, teria vez em meados daquele ano — novamente eleitoral, o da reeleição de Dilma: Pinheiro enfim acertou com Vaccari que a diferença de preço entre a unidade simples, pela qual se desembolsara apenas parte, e o tríplex, assim como os custos com a reforma do apartamento (e do sítio em Atibaia), seria descontada dos créditos do PT junto à construtora. O tríplex reservado era bem material extraído da conta-propina petista na OAS — traficância de titularidade, portanto, impossível.

Moro desenhou sem papel.

Leia aqui a sentença na íntegra.

(*)Carlos Andreazza é editor de livros

Fonte: oglobo.oglobo.com


segunda-feira, julho 17, 2017

A incessante encenação das mentiras palestinas




por Bassam Tawil



Os enviados Jason Greenblatt e Jared Kushner dos Estados Unidos, que se encontraram nesta semana em Jerusalém e em Ramala com funcionários do alto escalão de Israel e da Autoridade Palestina (AP) com o objetivo de viabilizar a retomada do processo de paz, descobriram o que os enviados anteriores americanos ao Oriente Médio constataram nas últimas duas décadas – que a AP não mudou, não tem como mudar e que não vai mudar.

No encontro em Ramala com o presidente da AP, Mahmoud Abbas, os dois emissários americanos foram informados que os palestinos não aceitarão nada que não seja um estado independente na fronteira pré-1967 tendo como capital Jerusalém Oriental.

Abbas também deixou claro que ele não tem nenhuma intenção de fazer concessões no tocante ao “direito de retorno” na questão dos “refugiados” palestinos. Isso significa que ele quer um estado palestino ao lado de Israel e também quer que Israel seja inundado com milhões de “refugiados” palestinos transformando o país em outro estado palestino.

Na reunião Abbas também reiterou sua exigência que Israel liberte todos os prisioneiros palestinos, incluindo assassinos condenados com as mãos manchadas de sangue judeu, como parte de qualquer acordo de paz. No passado a libertação de terroristas só fez com que aumentasse o terrorismo contra Israel.

De acordo com o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudaineh, o presidente da AP disse a Kushner e a Greenblatt que uma “paz justa e abrangente deveria se basear em todas as resoluções das Nações Unidas (relativas ao conflito árabe-israelense) e à Iniciativa de Paz Árabe (2002)”. Tradução: Israel deve se retirar para as linhas indefensáveis pré-1967 e permitir que facções palestinas armadas se posicionem nas colinas com vista para o aeroporto Ben Gurion e Tel Aviv.

A posição de Abbas reflete com precisão a política da liderança da AP nas duas últimas décadas – política esta normalmente comunicada a todas as administrações americanas, sucessivos governos israelenses e à comunidade internacional.

Há de se reconhecer, Abbas tem sido consistente. Ele nunca mostrou nenhuma disposição em aceitar fazer quaisquer concessões a Israel. Ele jamais perde a oportunidade de reafirmar suas exigências a todos os líderes mundiais e altas autoridades de governo com os quais ele se reúne regularmente.

No entanto, há aqueles na comunidade internacional que ainda acreditam que Abbas ou algum outro líder palestino poderá fazer concessões em troca da paz com Israel.

É inacreditável, mas tanto Kushner quanto Greenblatt, ao que tudo indica, acreditam que possam ter sucesso onde todos deram com os burros n’água.

Os dois enviados americanos, inexperientes, estão trabalhando na ilusão de que persuadirão Abbas e a liderança da AP de desistirem de certas exigências como o “direito de retorno”, a libertação de terroristas presos e a cessação da construção em assentamentos.

O porquê dos enviados do presidente Trump estarem criando a impressão perigosamente ilusória segundo a qual é possível alcançar a paz com a atual liderança da AP é simplesmente um mistério.

Criar uma expectativa dessas é como dar um tiro no pé juntamente com uma vingança, quanto mais alta a expectativa, maior a decepção. Dar aos palestinos a sensação de que a administração Trump possui uma varinha mágica para resolver o conflito israelense-palestino acabará aumentando o ódio e a hostilidade dos palestinos em relação aos americanos e a Israel. Quando os palestinos acordarem para o fato de que o governo Trump não colocará Israel de joelhos, eles irão retomar seus ataques retóricos contra Washington, acusando o governo americano mais uma vez de ser “tendencioso” a favor de Israel.

Foi exatamente esta a sorte das administrações e dos presidentes anteriores dos EUA que decepcionaram os palestinos ao não imporem os ditames a Israel. Os palestinos ainda sonham com o dia em que os EUA ou qualquer outra superpotência force Israel a aceitar todas as suas exigências.

Quando Israel não concorda em aceitar a lista de exigências, os palestinos acusam o país de “destruir” o processo de paz.

Pior do que isso, os palestinos usarão esta acusação como desculpa para redobrar seus ataques terroristas contra os israelenses. A reivindicação palestina, como sempre, será a de que eles estão sendo forçados a recorrer ao terrorismo em face do fracasso de mais um processo de paz patrocinado pelos EUA.

A administração Trump está cometendo um erro colossal ao pensar que Abbas ou qualquer um de seus colegas da Autoridade Palestina têm condições de mostrar alguma flexibilidade em relação a Israel, particularmente em relação a Jerusalém, assentamentos e o “direito de retorno”.

Não há dúvida que Abbas não tem condições de mostrar aos enviados americanos que ele não foi incumbido pelo seu povo para dar um passo na direção da paz com Israel. Abbas sabe, mesmo que os representantes americanos não saibam, que um movimento nessa direção acabaria com sua carreira e possivelmente com a sua vida.

Abbas também não quer entrar para a história palestina como o líder traidor que “se vendeu aos judeus”.

Não obstante as melhores intenções dos enviados americanos e de outros da comunidade internacional, Abbas está cansado de saber a sorte de qualquer líder palestino que considere “colaborar” com a “entidade sionista”.

Abbas, cujo mandato terminou em 2009, é visto como um presidente ilegítimo por inúmeros palestinos, sequer está em condições de oferecer a Israel concessões para fechar um acordo de paz. Para começar, mais tarde poderá surgir alguém e dizer, com toda razão, que como Abbas excedeu seu mandato legítimo no cargo, qualquer acordo feito por ele é ilegal e ilegítimo.

Abbas também não tem condições de conter o incitamento contra Israel, ele não tem como impedir os pagamentos aos assassinos condenados e às suas famílias e também não tem como aceitar a soberania judaica sobre o Muro das Lamentações em Jerusalém.

Ainda que certos assessores, vez ou outra, apareçam com declarações sugerindo que a liderança da AP estaria disposta a considerar algumas concessões em relação a essas questões, tais observações não devem ser levadas a sério: elas são destinadas apenas e tão somente aos países ocidentais.

A assertiva da AP é que ela já fez concessões suficientes meramente por reconhecer o direito de Israel de existir e de desistir das reivindicações palestinas sobre “toda a Palestina”. Segundo este posicionamento é Israel e não os palestinos que precisa fazer concessões pela paz.

“Atingimos o limite no que diz respeito às concessões (em relação a Israel)”, elucidouAshraf al-Ajrami, ex-ministro da AP. “Nós já fizemos uma série de concessões quanto às questões centrais ao passo que Israel não nos apresentou nada”.

É bom lembrar que esta declaração do ex-funcionário da AP é uma mentira deslavada, dadas as generosas propostas, gestos e concessões feitas por sucessivos primeiros-ministros e governos israelenses nas últimas duas décadas.

Reiteradamente, todas as iniciativas israelenses foram rechaçadas pelo rejeicionismo palestino e pela intensificação da violência.

A proposta apresentada pelo primeiro-ministro Ehud Barak em Camp David em 2000 de se retirar da maior parte dos territórios capturados por Israel em 1967 teve como consequência a Segunda Intifada.

A retirada israelense da Faixa de Gaza cinco anos depois foi interpretada, equivocadamente, pelos palestinos como sinal de fraqueza e recuo, resultando no lançamento de milhares de foguetes e mísseis contra Israel.

Outra proposta generosa e sem precedentes do primeiro-ministro Ehud Olmert caiu no vazio.

A atual política da liderança da Autoridade Palestina é evitar alienar a administração Trump fazendo de conta que Abbas e seus cupinchas estão empenhados seriamente em alcançar a paz com Israel. É por esta razão que os representantes de Abbas estão pisando em ovos para não criticar Trump nem seus enviados.

Abbas quer ludibriar a administração Trump para que ela acredite que ele tem a coragem, a vontade e o mandato para fechar um acordo de paz com Israel, da mesma maneira que ele mentiu para os ex-primeiros-ministros israelenses. É o mesmo Abbas que, nos últimos 10 anos, não conseguiu voltar para sua residência privada na Faixa de Gaza, que permanece sob o controle do Hamas.

Mas, ao pé do ouvido, funcionários palestinos do alto escalão têm criticado a administração Trump por simplesmente se atreverem a fazer exigências da liderança da AP, como parar com a incitação anti-Israel e o pagamento de salários aos terroristas presos e às suas famílias. Em outras palavras, o que as autoridades palestinas estão dizendo é: ou Trump aceita nossas exigências ou que vá para o inferno.

“Os americanos já endossaram a posição de Israel” reclamou Hanna Amireh, cacique da OLP.

“A liderança palestina rejeita a exigência de interromper a ajuda financeira aos detentos e às suas famílias… Em vez de apresentar pré-condições aos palestinos, os americanos deveriam exigir o fim do incitamento e da construção em assentamentos israelenses”.

No mundo distorcido da liderança da Autoridade Palestina, as demandas israelenses no tocante ao fim da glorificação palestina de assassinos são por si só um ato de “incitamento”.

Como Israel se atreve a exigir que a liderança da AP suspenda a remessa de dinheiro para terroristas presos e às suas famílias? Como Israel se atreve a desmascarar o incitamento e a glorificação de assassinos e terroristas?

A liderança da AP simplesmente não consegue entender qual o problema de dar nomes de assassinos de judeus às ruas, praças públicas e centros para a juventude.

É uma mera questão de tempo até que a liderança da AP comece a acusar abertamente a administração Trump de ser tendenciosa a favor de Israel. No mundo de Abbas e de seus cupinchas, qualquer administração dos EUA que não engula as mentiras e as invenções palestinas é considerada um círculo “hostil” controlado por judeus e sionistas.

E é exatamente isso que os palestinos disseram em relação a Trump e à sua equipe durante a campanha eleitoral à presidência dos Estados Unidos.

A liderança da AP, a bem da verdade, baixou o tom contra Trump e seus assessores a partir do momento que ele venceu as eleições. No entanto, este tom mais ameno tem o seguinte objetivo: que a AP não seja acusada de ser contra a paz.

Na realidade a liderança da AP mudou o tom mas não a música. Estamos testemunhando uma providência tática e temporária por parte dos palestinos. Esse teatro acabará em breve. A pergunta que continua no ar é: o Ocidente irá perceber que o espetáculo acabou?



Bassam Tawil, árabe muçulmano, radicado no Oriente Médio.

Publicado no site do Gatestone Institute – https://pt.gatestoneinstitute.org

Tradução: Joseph Skilnik

Fonte: Midia Sem Máscara

sábado, julho 15, 2017

Dom Pedro II, presidente dos EUA






por Everthon Garcia,





Raros estrangeiros, e certamente nenhum outro chefe de Estado, desfrutou nos Estados Unidos, como D. Pedro II, uma tão grande popularidade e foi acolhido ali com tão expressivas provas de respeito e mesmo de amizade. Não somente por parte dos políticos, como também pelo povo americano.

O entusiasmo pelo Imperador era enorme. Talvez ele tenha sido o visitante estrangeiro mais popular a pisar por lá. Qualquer coisa que D. Pedro fizesse chamava a atenção dos americanos. As pessoas ficavam fascinadas pelas suas qualidades.

A American Geographical Society organizou uma reunião especial, com a presença de D. Pedro II. Na saudação, o poeta Bayard Taylor afirmou: “Nunca esteve entre nós um estrangeiro que, após três meses de permanência, pareça ao povo americano tão pouco estrangeiro e tão amigo quanto D. Pedro II”.

O Imperador percorreu cerca de 15.000 quilômetros dentro dos Estados Unidos. Os políticos não perderam a oportunidade do exemplo para se fustigarem mutuamente, e um editor afirmou: “Quando ele voltar ao Brasil, estará conhecendo mais os Estados Unidos do que dois terços dos membros do Congresso!”.

No dia 4 de julho de 1876, festa do centenário da independência americana, D. Pedro II se encontrava nos Estados Unidos, porém em caráter particular, como fazia durante as suas viagens.

Estava programado um espetáculo de gala, do qual participariam o presidente Ulysses Grant e toda a representação do mundo oficial. Ao hotel em que estava hospedado como “D. Pedro de Alcântara”, foi-lhe enviado um convite para assistir à solenidade no camarote do presidente americano. D. Pedro agradeceu e devolveu, dizendo que não estava ali como Imperador, portanto não podia aceitar, mas que iria em caráter particular. E foi. Mas o mestre de cerimônias o conduziu a um camarote “particular”, vizinho ao do presidente. Quando D. Pedro apareceu no seu lugar, em companhia da Imperatriz, correu-se a cortina que separava os dois camarotes, e ele se viu ao lado do presidente, no mesmo camarote. Desfraldaram-se nesse momento, unidas, a bandeira americana e a brasileira. Logo depois a banda entoou o hino brasileiro, e uma multidão entusiástica, de pé, saudou com prolongadas palmas e vivas o nosso Imperador.

O jornal North American comentou: “Nenhum governante, de nenhum país, tanto como homem quanto como governante, jamais teve tantos méritos diante dos Estados Unidos quanto D. Pedro II”.

Em 1877, quando se iniciava a campanha política nacional nos Estados Unidos, o New York Herald relembrou a visita do Imperador, e apresentou a seguinte proposta: “Para nossa chapa Centenária, indicamos Dom Pedro II e Charles Francis Adams, para presidente e vice-presidente. Estamos cansados de gente comum, e sentimo-nos dispostos a apoiar gente de estilo”.

Tão grande era a admiração dos americanos pelo nosso Imperador que ele acabou recebendo, nas eleições presidenciais de 1877, só na Filadélfia (veja só), mais de 4.000 votos espontâneos.


– Do livro “Revivendo o Brasil Império”, de Leopoldo B. Xavier. São Paulo: Artpress, 1991. p. 113-115 e 107.

Fonte: Conservadorismodobrasil.com.br

sexta-feira, julho 14, 2017

PMESP - Os Dias Não Podem Ser Assim...





por DefesaNet.



Em relação à matéria da GloboNews, no portal G1 de Notícias, publicada no último dia 10 de julho, com o título “Policiais militares mataram mais de 5 mil pessoas em São Paulo nos últimos 10 anos”, fica a pergunta do PORQUÊ de tal assunto tão importante, ter sido ofertado ao leitor de modo a evidenciar números, que o conduzem a formar uma convicção equivocada da realidade pela qual as policias militares enfrentam atualmente.

Os dias, são assim...

Infratores despreocupados com a paz social e certos da impunidade que reina no país, investem cada vez mais em confrontos armados contra as forças de segurança no Brasil. Entretanto, a Polícia Militar do Estado de São Paulo, aplicadora da Doutrina de Diretos Humanos, ainda mantém o compromisso de que, a decisão de confrontar não é do policial militar e sim do infrator. 

Ora, evidenciemos as estatísticas então!

Nos últimos 10 anos, dos infratores que entraram em confronto armado contra a Polícia Militar, 44% foram presos ou feridos e, apenas 16,7% morreram.

Os dias, realmente são assim.

Os valores sociais invertem-se em benefício daqueles que maculam a segurança pública e desmontam a sociedade.

Vejamos outros números:

Os mesmos dados da Secretaria de Segurança Pública, apontam que no Estado que teve sua população aumentada em 18,39 % nos últimos 10 anos, o número de prisões em flagrante aumentou em 38,78 %. No mesmo sentido, indicam também que o número de homicídios dolosos por 100 mil habitantes no Estado de São Paulo foi reduzido em 26,06 pontos percentuais.

PORQUÊ então investir contra àqueles que sacrificam a vida em prol da sociedade, apresentando dados descontextualizados e incompletos, com base em preconceitos, generalizações e em verdades parciais?

Os dias NÃO PODEM ser assim!

Ao criticar de forma vazia a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a GloboNews deixa de cumprir a função social do jornalismo e desinforma o seu leitor.

Há o sentimento de que esta matéria é uma resposta aética a uma posição do Comando da Polícia Militar de São Paulo, que teve uma posição assertiva, frente a uma construção de ato de racismo de policiais vestidos com o fardamento da Polícia Militar do Estado de São Paulo em um capítulo da série Malhação;

Clique aqui para ir à Nota de Repúdio da PMESP





quinta-feira, julho 13, 2017

Lula foi condenado COM provas abundantes.





por Flavio Morgenstern(*).



Não caia na conversa de quem tá com dele na reta.

Há uma narrativa de que "Lula foi condenado sem provas". Conversa de petistas para tapear eleitores: não faltam provas documentais no caso.

A narrativa atual feita pelos petistas e pela esquerda diante da condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro, já que o mito do “Lula dos pobres” foi desfeito, é a de que o ex-presidente teria sido condenado “sem provas”, tão somente usando-se a força da lei para impedir que Lula disputasse as eleições de 2018.

A narrativa (e tudo o que importa em política, como em boa parte da vida, são narrativas) é complementada com tentativas de associar o juiz Sérgio Moro aos adversários eleitorais do PT, o PSDB (que só apoiou o impeachment de Dilma depois de toda a sociedade), além da Rede Globo, que é incalculavelmente mais pró-PT do que anti-PT.

Assim, petistas tentam comparar a condenação de Lula, com as provas documentais do caso do triplex (incluindo documentos na casa de Lula em São Bernardo, que são provisoriamente “esquecidos” na hora de engabelar o povo), com as provas contra Aécio e Temer. O primeiro é uma anta o suficiente para deixar pastas com a sigla “cx 2” em sua casa (sic). O segundo tem contra si, justamente, a Rede Globo, que fez um auê desgraçado sobre uma frase de Temer gravada por Joesley Bastista, que nem comprovou tanto o sentido que a Globo (e o país) queria que tivesse.

Mas, bem ao contrário da típica narrativa petista, abundam provas documentais, além das testemunhais e circunstanciais, no caso da condenação de Lula. O que a Justiça tem de fazer é montar um todo coerente, mostrando que qualquer outra visão (como a de que Lula não usufruiu do triplex) possui incoerências. E assim o fez.

A decisão do juiz Sérgio Moro possui 218 páginas. É hilariante pensar que qualquer petista a tenha lido em 2 minutos antes de sair esbravejando no Twitter que “Moro condenou sem provas” para a militância roboticamente repetir, no conhecido processo de dog whistle. Até falando do “terno preto cafona” e da “voz que não combina com a cara” de Sérgio Moro. E olha que era ninguém menos do que o breguíssimo Big Brother Jean Wyllys tentando dar lição de elegância.




Há provas que precisam tão somente de contextualização. Por exemplo, Lula ter informado à Justiça Eleitoral que pagou R$ 47.695,38 pelo apartamento. Um vizinho pagou em torno de R$ 925 mil pelo mesmo apartamento, mostrando que Lula foi beneficiado através de desconto na folha de propina da OAS. Não é preciso muito esforço para entender o caso, seria uma questão de matemática no vestibular que até quem faz Letras acertaria.

Há prova documental de memorial descritivo que aponta a uma reforma estrutural do triplex, mostrando que é o único com elevador privativo. Além de prova documental sobre a instalação da cozinha.

Algumas outras só precisam ser analisadas pelas circunstâncias, decorrendo das provas materiais para que sejam entendidas. Por exemplo, o fato de o triplex nunca ter sido colocado à venda (então, quem teria mandado fazer a reforma? quem seria “o chefe” e quem seria “a madame”?), a um só tempo em que Lula nunca tenha negociado, em momento algum, o preço do triplex.

Há ainda documentos apreendidos na sede da Bancoop, cooperativa aboletada de petistas que deu o calote em mais de 3 mil famílias, que pagaram por casas que nunca tiveram, enquanto Lula achava que um triplex no Guarujá era um apartamento “muito apertado” para sua família passar um fim de semana (presidente dos pobres que tirou trilhões da miséria etc, sem ressarcimento e condenações até hoje). É a Bancoop que faz a triangulação e passa o imóvel para a OAS.




É por isso que jornalistas safados, apostando na ignorância de seus próprios leitores, soltam manchetes recortadas da realidade, como “Moro usou reportagem do Globo como prova”, crendo muito acertadamente que seus leitores são ignaros estúpidos, sem dizer que a citação só comprova que Lula usava o triplex como seu, e não que isto foi usado como “documento”.

Apenas para corroborar as provas documentais vão sendo adicionadas outras provas, como os testemunhos, mensagens, manuscritos com códigos etc. É aí que são analisadas, por exemplo, mensagens no celular de Paulo Gordilho, arquiteto e ex-executivo da OAS, citando reformas em “sítio” e “praia”. Ou no celular de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, se referindo ao projeto do “chefe” e para marcar com a “madame”. Ou ainda testemunhos de funcionários da OAS e do edifício Solaris declarando que Lula e Marisa eram tratados como donos do apartamento, e não “prováveis compradores que nunca adquiriram o triplex”.

A defesa de Lula insiste em uma tese para chamar a patuléia ignorante para as ruas, sabendo que os eleitores de Lula são ignorantes e se surpreendem com palavras, sem conhecer seu significado. É a tese de que o apartamento está em nome da OAS, portanto, “não é de Lula”. Jornalistas do porte de colunistas do Estadão, ao invés de estudar minimamente mais do que uma criança, compram e espalham a advocacia de Lula.




Como já explicamos, Lula é investigado, entre outros, pelo crime de ocultação do patrimônio, ou seja, escondeu da Justiça um patrimônio, usufruindo-o na vida concreta sem tê-lo comprado legalmente. Qualquer um pode comprar um bem se puder pagar por ele. Já não se pode receber vantagens indevidas de alguém que comprovadamente recebeu benesses do PT de Lula (tanto que até teve de devolver o dinheiro) na forma de propina. Tudo isto está provado com documentos, e ainda corroborado com testemunhos e contextualizado por circunstâncias.

Ainda que Lula tivesse o apartamento em seu nome, se o tivesse recebido como “presente” da OAS, como os próprios valores, reforma, intenção da empreiteira e confissões de culpa dos envolvidos e presos por isso o confirmam, ainda assim Lula estaria cometendo um crime. Apenas Lula confiou que uma mera triangulação disfarçaria o caso para a Justiça, que tanto fechou os olhos aos seus desmandos anteriores.

O próprio Sérgio Moro explicou a questão irrefutavelmente.




É claro que ainda há pasto e circunstância para interpretações bovinóides, que nas ganas de tentar defender Lula per fas et per nefas, acabam não percebendo que confessam a culpa do chefe da quadrilha.



Por fim, sobretudo nas manjadas comparações com Temer e Aécio (“há provas, não apenas testemunhos!”), petistas dos mais variados quilates vão repassando às classes mais baixas do seu estamento hierarquizado em vertical a noção de que “não há provas” contra Lula, pois só há “depoimentos”.

Em primeiro lugar, confissão é prova. Não é apenas prova: como diz o brocado jurídico, confissão é a rainha das provas – Confessio est regina probationum. Ao tentar tratar testemunhos como “não-provas”, petistas tratam seus próprios fãs como retardados, tapados facilmente manipuláveis por palavras chocantes.

Ninguém confessa e aumenta sua própria pena à toa. O showzinho feito por petistas que estão com o seu na reta, repetido por jornalistas com pouco uso de sua massa cinzenta, emulado por professores, sindicalistas e autoridades locais e, por fim, macaqueado pela militância com pouco estudo, ignora tal obviedade.

É como se Léo Pinheiro, Marcelo Odebrecht, João Vaccari (além de ex-tesoureiro do PT, ex-presidente da Bancoop) et caterva de repente tivessem virado, digamos, reacionários direitistas conservadores (talvez até meio Bolsonarianos) e quisessem ferrar Lula (“perseguição“, não é esta a palavra que usam?) tão somente pelo prazer de destruir a carreira de um “inimigo”.

A única coisa que estão fazendo é provando o esquema do qual participaram, no qual se refastelaram e enriqueceram (e delação premiada sem provas é anulada), e no qual, por ventura, para desgosto de quem vê em Lula um santo, o próprio Lula foi não apenas partícipe, mas maestro.

A única forma de o PT tentar enganar seu público é crendo que todos os delatores, que nem podem ficar sabendo das delações uns dos outros antes de delatarem, são na verdade direitistas mancomunados que combinaram de antemão uma história golpista e, por mera coincidência, estão todos a falar que Lula é culpado. Pela Teoria da Mera Coincidência.

Não há inteligência capaz de comprar esse disco riscado repetindo acerebradamente que “Lula foi condenado sem provas” e nunca ir além da martelação contínua dessa frase oca jogada à canalha. Caso você ainda seja petista, está na hora de rever se seus ídolos não o tratam como um imbecil inepto tão facilmente tapeável e substituível por alguém mais útil caso a ocasião mude.


(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

terça-feira, julho 11, 2017

Universidades brasileiras: incubadoras da nefasta ideologia de gênero




por Cristian Derosa (*).

Imagem: Prefeitura de Ariquemes Proíbe Ideologia de Gênero



A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sediou uma palestra da pesquisadora britânica Zowie Davy, no auditório do Centro de Ciências da Saúde (CCS) no último dia 26. O evento marca o início de uma parceria com a universidade no projeto chamado “Lesbian, Gay, Bisexual and Transgender (LGBT) Sex-Work Migration and Health Implications”, junto com o movimento Epicenes: Núcleo de estudos em gênero da UFSC, coordenado pelo professor Rodrigo Moretti.




Eventos como esse têm sido realizados em todas as universidades do Brasil, desde a década de 1990, quando o movimento LGBT, financiado internacionalmente e apoiado pelas conferências da International Lesbianand Gay Association (ILGA). O ILGA abriga em sua estrutura, desde a década de 1980, o grupo em defesa dos direitos à pedofilia, o NAMBLA (North-American Boy-Lovers Association). Há décadas que as universidade do mundo todo fornecem um ambiente propício e amistoso para o desenvolvimento das agendas que têm 

como objetivo a diluição e finalmente destruição de conceitos jurídicos que possibilitam o entendimento da própria noção de liberdade e democracia, o que não pode prescindir da moldura enganosa da defesa de direitos. Entidades internacionais como a Open Society, de George Soros, investem milhões todos os anos para esta “nobre” causa.



Nas últimas semanas, as redes sociais viram imagens chocantes de uma aula de sexo oral sendo ministrada em uma sala da Universidade de Maringá (PR), diante de atenta plateia. Quem se escandaliza com aquelas imagens certamente não conhece do que é feito o meio universitário brasileiro, há décadas refém de uma miscelânea de delírios ideológicos que remete a comportamentos aparentemente insanos. De fato, a doença mental parece ter se apossado das consciências (se é que ainda existem) de estudantes e professores que mais parecem zumbis de algum filme de horror futurista. Mas quem está por trás dessa estrutura de poder e influência que domina as mentes e almas dos jovens no Brasil e no mundo? A verdade é que uma estratégia de longo prazo dificilmente se deixa perceber tão facilmente.

Na capital catarinense, o projeto Epicenes, que funciona na UFSC, é responsável por realizar, desde 2015, o evento Semana de Combate às Fobias de Gênero na Saúde, realizado em parcerias com grupos de ativistas da UFSC e o Centro de Ciências da Saúde, entre eles o Grupo Acontece (arte e política LGBT), espécie de QG de atividades culturais para a promoção do movimento LGBT. Todas essas iniciativas estão vinculadas ao ativismo gay e o seu afiliado, o ativismo pedófilo. E estes são apenas uma parcela muito pequena de movimentos dessa natureza abrigados na UFSC, assim como em muitas universidades brasileiras. Obviamente, o Brasil apenas repete comportamentos já bem crescidinhos no exterior. Universidades norte-americanas já oferecem bolsas para quem estudar o movimento LGBT e questões de gênero.

Breve histórico dos movimentos

De acordo com pesquisa de Alves Calixto:

Na década de 90, foram criadas ONGs voltadas para a causa LGBT com financiamentos de organismos internacionais, criação de parcerias do movimento com partidos políticos e o poder público. Em 1995 foi realizada a primeira parada do Orgulho LGBT no Brasil a partir da 17ª Conferência Internacional da International Lesbianand Gay Association (ILGA), no Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi criada a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, com 31 grupos fundadores. Atualmente, a ABGLT é uma rede nacional de 308 organizações afiliadas. Fortaleceu-se também a presença na mídia, a participação em movimentos de direitos humanos, a articulação com redes internacional de promoção de direitos humanos e proposituras perante parlamentares em nível federal, estadual e municipal.(SIMÕES E FACHINNI, 2009).

Datam da mesma década, o aparecimento da chamada “teoria queer“, já existente nos EUA desde a década de 1980, iniciada pela teórica feminista Judith Butler. O significado de queer bem serve para que se compreenda o objetivo dos movimentos dentro da revolução linguística com a qual pretendem desconstruir e, assim, desestruturar a sociedade. Ainda com base nas citações de Alves Calixto:

Queer pode ser traduzido por estranho, talvez ridículo, excêntrico, raro, extraordinário (…). A ideia dos teóricos foi a de positivar esta conhecida forma pejorativa de insultar os homossexuais. Segundo Butler, apontada como uma das precursoras de teoria queer, o termo tem operado uma prática linguística com o propósito de degradar os sujeitos aos quais se refere. “Queer adquire todo o seu poder precisamente através da invocação reiterada que o relaciona com acusações, patologias e insultos” […] Por isso, a proposta é dar um novo significado ao termo, passando a entender queer como uma prática de vida que se coloca contra as normas socialmente aceitas (COLLING, 2011, p. 3).

O ataque ao que se entende como “normas socialmente aceitas” confunde-se facilmente com um golpe não aos valores, mas às realidades das quais eles falam. A revolução linguística vem resolver o problema de Marx, para quem os valores capitalistas estariam lastreados pela moral familiar, religiosa e, consequentemente, pelas verdades admitidas sobre a biologia. A diferença é que Marx acreditava que o socialismo poderia destruir a família naturalmente, o que não ocorreu. A alternativa agora é destruir primeiro a família, já que esta se recusou a morrer nos países em que o socialismo se impôs. É a alternativa cultural do marxismo ortodoxo.

Por que é necessária a destruição da família e perversão das crianças?
Segundo a noção já consagrada pelo que podemos chamar de Ideologia de Gênero (ou teoria da identidade de gênero) mais em voga, “a sexualidade não é compreendida como uma questão pessoal, algo ‘dado pela natureza’, mas é social, política, histórica aprendida no decorrer da vida de todos os sujeitos sociais”. Esta noção questiona o poder da biologia (ou de fatores externos) na construção da identidade humana. Essa identidade poderia ser puramente “inventada”, com base não numa realidade, mas em desejos retirados da própria cultura. Se a normatividade familiar, referida por eles, é artificial (e má) por ser baseada em uma construção social, muito pior seria a teoria queer, que necessita de um aparato de construção social muito mais agressivo para contrariar a biologia. Mas o argumento de construção social é apenas uma fachada. As “normas socialmente aceitas” não são vistas como más por causa da sua suposta artificialidade, mas por representarem, segundo Marx e Engels, o lastro inicial de toda forma de exploração: a família.

Assim, o pai explora a esposa e, juntos, exploram os filhos. O motor de toda a exploração é sexo, como domínio físico do corpo, segundo as ideias feministas que foram sintetizadas nas teorias de Freud. É por este motivo que feministas como Shulamith Firestone defendem clara e expressamente a liberação sexual das crianças. A destruição não é a única condição para a nova sociedade da liberdade total. O anticoncepcional, a educação estatal para todos, assim como as escolas mistas, tiveram como inspiração as ideias de Firestone, que tinha como objetivo a liberação da mulher para que ela pudesse ser livre da dominação e exploração imposta pela instituição familiar.

Nenhum militante LGBT dirá jamais que deseja destruir a família, mas certamente defenderá que a família tenha o seu conceito ampliado e diversificado, modificado desde a sua base, até que as pessoas não sejam mais capazes de distinguir entre uma família e uma manifestação de pedófilos que grita em frente à Igreja, acusando padres de pedófilos, ao mesmo tempo em que pede a descriminalização da pedofilia. A contradição é a sua arma mais eficiente, pois desarma o inimigo, como disse Butler.

Assim, os ideólogos do gênero transformam a sexualidade em arma política, capaz de destruir seus opositores por dentro e já em tenra idade, privando-os da identidade humana. Sabe-se que a autêntica identidade e personalidade humana só pode se manifestar no masculino ou feminino, isto é, por meio da identificação entre biológico e social, como insiste o filósofo espanhol Julián Marías. A constante deturpação e desidentificação entre as duas realidades (biológica e social), quando fomentada na infância, produz, já sabidamente, resultados catastróficos, não apenas sexuais ou comportamentais, como temos visto, mas cognitivos.

Federico Iadicicco, coordenador do Departamento Vida e Família do partido Fratelli d’Italia, afirma, em entrevista, que uma das razões por trás deste tipo de propaganda, o que Bento XVI chamou de “revolução antropológica”, contra a família e impulsionada por ambientes de poderosa influência financeira, está o poder de influência nas escolhas políticas de algumas das principais potências do mundo.

Definitivamente e de forma inequívoca, o financiamento substancial que grandes multinacionais e ONGs mundiais dão periodicamente a associações LGBT: Apple, Coca-Cola, a Open Society de George Soros, a Fundação MacArthur, a Fundação Ford, a Fundação Goldman, a Fundação Rockefeller, a Kodak, a American Airlines, a Pepsi, a Nike, a Motorola, só para citar alguns. Também é suspeita a atenção especial dos organismos supranacionais à promoção da ideologia de gênero nas escolhas legislativas nacionais. Basta considerar que a Organização Mundial da Saúde arruma tempo para ditar aos países as diretrizes de educação sexual para crianças em vez de lidar com os problemas reais da saúde no mundo.

Os resultados dessa ideologia já podem ser vistos em toda parte. Relatórios médicos e psiquiátricos já apontam a ideologia de gênero e a teoria queer como potenciais causadores de toda sorte de distúrbios e culpados de um crescente número de suicídios entre adolescentes e até crianças. A modificação dos corpos e das mentes destrói toda a capacidade de exercício do livre arbítrio humano, tornando-o um mero escravo de causas que ele não conhece.

Este é certamente um edifício dos horrores, do qual se pode compreender a bizarra motivação de verdadeiros monstros que se utilizam da fragilidade de crianças e adolescentes, em sua inocência, para transformá-los em ativistas zumbis. Os verdadeiros inimigos da humanidade, da família e de Deus, não são os militantes que lotam movimentos universitários, mas os teóricos e financiadores que transformam adolescentes em idiotas úteis a causas que apenas os destruirá por dentro e por fora.




segunda-feira, julho 10, 2017

Como o “casamento gay” nos agride? Aqui está.




por Eric Metaxas. 



Os cristãos são freqüentemente perguntados por gayzistas quanto aos motivos de se oporem ao “casamento” homossexual. “Como nosso ‘casamento’ os agride?”, perguntam eles.

Bem, posso pensar em uma forma significativa de como isso nos agride: isso vai destruir a liberdade religiosa e os direitos de liberdade de expressão.

A pergunta está escrita num muro no Canadá, que legalizou o “casamento” do mesmo sexo em 2005, mudando completamente seu verdadeiro significado. Desde então, como Michael Coren observa na National Review Online, “houve entre 200 e 300 procedimentos … contra críticas e opositores do casamento do mesmo sexo.” É claro que ele quis se referir a procedimentos legais.

Por exemplo, em Saskatchewan, um homem homossexual chamou um comissário estadual de casamento, querendo “se casar” com seu parceiro. O comissário, um cristão evangélico, recusou-se a realizar a cerimônia por razões religiosas. Ele simplesmente encaminhou o homem para outro comissário.

Mas isso não foi suficiente para o casal gay. Embora tenham recebido a cerimônia, eles queriam punir o cristão que havia recusado a conduzi-la. O caso acabou nos tribunais. E o resultado? Aqueles com objeções religiosas para realizar tais cerimônias agora enfrentam a perda de seus empregos.

As igrejas canadenses também estão sob ataque. Coren escreve que quando Fred Henry, o bispo católico romano de Calgary, Alberta, enviou uma carta às igrejas que explicam o ensino católico tradicional sobre o casamento, ele foi “acusado de violação dos direitos humanos” e “ameaçado de litígio”.

Igrejas com objeções teológicas para realizar cerimônias de “casamento” do mesmo sexo estão sendo ameaçadas com a perda do status de isentas de impostos. Na Colúmbia Britânica, os Knight of Columbus concordaram em alugar seu prédio para uma recepção de casamento antes de descobrir que se tratava de um casal de lésbicas. Quando descobriram, pediram desculpas às mulheres, concordaram em encontrar um local alternativo, e pagaram os custos da impressão de novos convites. Mas isso não foi bom o suficiente. As mulheres entraram como processo, e a Comissão de Direitos Humanos ordenou aos Knights of Columbus que pagassem uma multa.

É claro que as lésbicas sabiam perfeitamente o que a Igreja Católica ensina sobre o casamento, mas, ainda assim, buscaram um edifício de propriedade católica.

Como diz Michael Coren, “está se tornando óbvio que pessoas, líderes e organizações cristãs estão sob a mira, quase que certamente, para criar precedentes legais” – precedentes destinados a silenciar e punir qualquer um que se atreva a discordar do chamado “casamento” gay.

Se você acha que isso não poderia acontecer aqui, pense novamente. Em 2012 vimos o ObamaCare atacar a autonomia das igrejas católicas tentando forçá-las, em violação do ensino católico, a pagar por contraceptivos e abortivos para os funcionários da igreja. Logo em seguida, uma funcionário lésbica de um hospital católico em Nova York processou o hospital por negar seus benefícios de saúde conjugal.



Isto é o que precisamos dizer aos nossos vizinhos quando nos perguntam: “Como o casamento gay” os faz mal?” Isso significa que aqueles hostis a nossas crenças tentarão nos dobrar a vontade deles para nos forçar a não apenas aceitar esse tipo de “casamento “, mas para desculpá-lo também.

É por isso que exorto você a se juntar ao meio milhão de cristãos que assinaram a Declaração de Manhattan.

Você e eu devemos demonstrar amor aos nossos vizinhos homossexuais, é claro, lembrando que estamos envolvidos, em última análise, numa guerra espiritual. Mas devemos defender-nos corajosamente quando os nossos direitos como cidadãos e as exigências da nossa consciência estão ameaçados.

Publicado na CNSNews.
Fonte: Midia Sem Máscara

domingo, julho 09, 2017

O que raios é socialismo fabiano?





por Flávio Morgenstern(*).

Com o destaque dado a João Doria, o termo "socialismo fabiano" começou a ser usado nas redes sociais. Mas o que é o fabianismo na vida real?







Um novo termo tem sido repetido ad nauseam nas discussões políticas na internet: socialismo fabiano. A incidência do vocábulo cresceu na medida em que o prefeito de São Paulo, João Doria, ganhou notoriedade entre uma parcela da direita por seus ataques ao PT. Outra facção, por ser o prefeito um filiado ao PSDB, alavancou o uso da expressão considerando que Doria é, na verdade, um “socialista fabiano”.

Poder-se-ia perguntar aos usuários do bordão uma série de questões: o que é o socialismo fabiano? Quem são os grandes socialistas fabianos? Em que país surgiu? Rússia? França? Alemanha? Onde ele já foi aplicado? Quais as instituições que o promovem? Quais são seus princípios? Os principais livros? Qual a diferença para outras formas de socialismo? Como é a economia fabiana? À base do Gulag, como na União Soviética? E a liberdade de imprensa? Há expurgos, paredón, genocídio?

O estudioso que questionar a maioria dos useiros do termo não encontrará respostas. O fenômeno é idêntico ao que a esquerda fez com o termo técnico “fascista”, uma realidade histórica brutal e perigosíssima – mas, usado tão somente como metáfora, e não descrição, está sempre comparando o que não é socialismo fabiano com o apelativo mote, justamente para tentar ofender quem teria horror a ser associado a alguma forma de socialismo. Mesmo a uma versão amorfa e indefinida.

O vocábulo fica assim oco de significado. Como define o antropólogo Claude Lévi-Strauss, aprofundando a terminologia lingüística, a palavra se torna um signo flutuante: pode significar qualquer coisa, só dependendo da vontade momentânea do falante. É algo comum ao pensamento mágico: ao invés de olhar para a realidade e, para expressá-la, tentar extrair dela um conceito, com palavras como “maçã”, “tristeza” ou “crise internacional de hedge funds“, o sujeito quer criar a realidade através de palavras-mágicas, como um pequeno Deus do Gênese.

Entre uma direita que poucos livros lê, mas dedicadíssima a um verdadeiro estudo de comentários de Facebook, a organização do mundo depende de seus ânimos, emoções, impressionabilidades e vontades urgentes, e não da fria observação, análise, estudo e estratégia. Em poucos minutos de mimetização de ídolos, o sujeito estará igualando a economia escandinava que produziu empresas como Nokia e Ericsson ao Camboja de Pol-Pot, simplesmente por tratá-los pelo mesmo termo. É uma situação comparável a quem tenta analisar as diferenças entre Beethoven e Mozart, conversando com alguém que só conhece bicordes e Luan Santana.

O fenômeno de lingüística, ideologia e mentalidade segue a Lei de Rothbard, a despeito de não ser um debate acadêmico: a parcela menos lida e mais emocionalmente sensível da direita tende a se especializar justamente naquilo que menos sabe.

Quanto mais o termo é usado, repetido e macaqueado ao ponto de não fazer mais sentido nenhum, menos o usuário sabe o que está fazendo. É difícil crer que, sem uma definição socrática, o indivíduo consiga identificar um socialista fabiano se o vir na rua. Todavia, é exatamente pelo que está chamando tudo aquilo que não é o socialismo fabiano, podendo até mesmo se tornar presa fácil de um.

Afinal, o que, na vida real, fora da caixa de comentários do Facebook, é o socialismo fabiano? Como uma realidade concreta, histórica, atual, presente e nem de longe pequena ou pouco influente, é importante conhecer o conceito, até mesmo para saber combatê-lo.
A sociedade fabiana

Não são precisos muitos desvãos secretos em linguagem hermética: em pouco tempo no Google, sobretudo em inglês, é possível aprender muito da conceitualização básica do fabianismo.

Não é possível falar em socialismo fabiano sem falar da Fabian Society. Longe de uma corporação secreta, a “Sociedade Fabiana”, formada em Londres em 1884, tem site (fabians.org.uk), conta no Twitter (@thefabians) e página no Facebook. Já na primeira página do Google encontram-se grandes monumentos das letras britânicas, como The Guardian e a Encyclopædia Britannica, explicando o que é a Fabian Society.







Há duas realizações de ordem gigantesca que os fabianos legaram à esquerda: a fundação do Partido Trabalhista (Labour Party) britânico e de uma das maiores universidade voltadas à economia e às ciências sociais do planeta, a London School of Economics (LSE), que tanto fez com que a economia ocidental visse com bons olhos as idéias socialistas. Os informes, papers, estudos e artigos, ou mesmo o podcast da London School of Economics, dão um panorama atual de quais as visões, objetivos e práticas da Sociedade Fabiana hoje.







Tal como boa parte dos hábitos insulares ingleses (empirismo ao invés de racionalismo, dirigir pela esquerda e aversão ao sistema métrico), o socialismo fabiano é um fenômeno tipicamente britânico. Para identificar um socialista fabiano, um dos passos mais seguros é verificar sua familiaridade ao ideário da London School of Economics e à ala fabiana ortodoxa do Partido Trabalhista inglês.



Quem fundou a sociedade fabiana foi o casal de barões Sidney e Beatrice Webb, e não uma pessoa chamada “Fabian”. O socialismo fabiano deriva seu nome do general romano Quintus Fabius, que se destacou na Segunda Guerra Púnica. A chamada “estratégia fabiana” era algo novo para a época: uma tática de guerrilha que busca, lentamente, atacar os suprimentos das tropas inimigas, mesmo que muito mais numerosas. O inimigo definha em força gradual e lentamente. O socialismo fabiano utiliza uma tática bastante parecida.

Quatro nomes deixaram o ideário do socialismo fabiano famoso, embora raramente sendo referidos como “socialistas fabianos” ou “fabianistas” – o mero termo “socialista”, deixando que o contexto da Inglaterra fizesse o serviço de localização, bastava. Os Prêmios Nobel de Literatura George Bernard Shaw (1925) e Bertrand Russell (1950), além da revolucionária Virginia Woolf, foram os grandes mentores “não-econômicos” do socialismo fabiano. Fabianos que apanhavam muito em debates do grande gênio católico G. K. Chesterton.

Curiosamente, boa parte da visão de mundo do fabianismo também é influenciadora e também influenciada por outro romancista: H. G. Wells, que, em obras como O Homem Invisível, A Ilha do Dr. Moreau, A Máquina do Tempo e Guerra dos Mundos, descreveu utopias onde a tecnologia substituiria as tradições civilizacionais e a sociedade seria reformada paulatinamente.

Dois conceitos-chave são entrevistos aí: o socialismo fabiano acredita em evolução, e não em revolução. Era um dos grandes temas de H. G. Wells. Além disso, seu foco não-revolucionário é a reforma da sociedade, não seu redesenho pós-revolucionário. Uma das principais características do fabianismo é derivada não de Hegel ou de Karl Marx, mas de Charles Darwin: a sociedade “evolui” através da ciência e da razão, e cientistas deveriam reformar a sociedade, que não poderia resistir ao “progresso”, feito via democrática. Além dos positivistas (como, por exemplo, o Exército brasileiro), socialistas fabianos são os grandes tecnocratas.
O que fazer com os pobres?

O primeiro manifesto socialista fabiano é o documento Why are the many poor?, que chega a uma conclusão não muito diferente da satírica solução para a pobreza proposta por Jonathan Swift em A modest proposal, de 1729: a esterilização em massa dos pobres como meio de controle populacional. Uma espécie de malthusianismo com anabolizantes. Se a proposta parece chocante colocada sem meias palavras, os desdobramentos atuais da esquerda para a questão dos pobres passou da esterilização para o aborto em massa, sobretudo de negros, em modelos como o da Planned Parenthood.

O fabianismo primitivo mostra-se vencedor nos temas da esquerda moderna, pós-queda do Muro de Berlim: nada de economia, e sim sexo.

Um das primeiras grandes influências intelectuais para o fabianismo foi o psicólogo progressista e reformista social Havelock Ellis, que legou a todo o socialismo fabiano a terceira idéia após Malthus e Darwin: a eugenia, a teoria de que os bem nascidos devem prosperar, e aqueles sem serventia para uma sociedade cientificamente planejada devem ser dela extraídos. Havelock Ellis foi presidente da Eugenics Society.

Se a eugenia passiva de Francis Galton visava a manutenção de caracteres raciais, a eugenia ativa, como feita por outros socialistas, os nazistas, partia para o extermínio aberto de elementos indesejados pelos agentes do Estado. Hoje, no mundo do aborto, onde mais crianças são exterminadas do que em qualquer momento da história (mesmo no culto a Moloch), vivemos numa acelerada mudança da eugenia passiva para a eugenia ativa.




Além da eugenia, o tema da vida de Havelock Ellis marcou o caminho dos fabianos: a homossexualidade, e até a psicologia transgênero. Suas teorias sobre auto-erotismo e narcisismo foram posteriormente adaptadas pela psicanálise de Sigmund Freud. A Fabian Society foi uma desinência de um grupo com o desabrido nome de The Fellowship of the New Life.

Rapidamente, o “progresso científico” propagou as pílulas anticoncepcionais, o aborto, a eutanásia e boa parte daquela parcela do ideário de esquerda que chamamos de ‘progressista”. A Inglaterra era o centro científico do mundo da época.

Sidney e Beatrice Webb podem ser considerados os fundadores do que se chama de Welfare State junto a Lloyd George e William Beveridge. São suas as propostas do salário mínimo em 1906, do National Health Care em 1911, da mudança da herança para o mais velho em 1917.
Socialismo democrático

Incrivelmente, o primeiro brasão de armas da Fabian Society era um lobo em pele de cordeiro (!!), para demonstrar os métodos preferenciais da Sociedade. Logo a idéia foi abandonada, por suas óbvias implicações negativas, e substituída por uma tartaruga, representando a preferência por uma mudança lenta, gradual e imperceptível para o socialismo.

Após visitarem a Ucrânia no auge da fome do Holodomor, Sidney e Beatrice Webb escreveram um livro de dois volumes chamado Soviet Communism: A New Civilization?, em que juram que não havia fome: tudo era “propaganda de anti-comunistas”. Stalin, obviamente, não era ditador nenhum, imagine. O socialismo fabiano de verdade, tratado como um “socialismo light” no Facebook, sabia assustar o PSOL quando queria.

H. G. Wells rompeu com a Fabian Society, escrevendo ainda quando era membro o panfleto The Faults of the Fabian. A sociedade foi parodiada em seu romance The New Machiavelli.

Contudo, economicamente, o socialismo fabiano foi se distanciando do socialismo “clássico” da linha marxista e tentou implantar sua “ciência”. Com a típica aversão inglesa ao controle e à planificação, assimilaram o liberalismo econômico, criando essa estrovenga moderna que é o liberalismo gerenciado, no qual o sistema de precificação é permitido, o mercado tem alguma liberdade, mas há pesadas regulações e regras que permitem ao Estado fazer uma supervisão logística de todo o processo.

Como explicamos aqui e aqui, foi criado o “socialismo democrático”, termo que confunde 11 em cada 10 falantes: trata-se da estratégia em que taxando empresas, criando-se direitos trabalhistas e regulamentações econômicas, logo o Estado controlaria mais de 51% da economia, e bastaria então que o Estado comprasse empresas sufocadas pela carga de impostos. É o processo de estatização – ou “nacionalização” – de companhias através do que chamam de setores estratégicos. O socialismo chegaria por evolução, e não revolução. Foram seus articuladores Leonard Woolf, R. H. Tawney e G. D. H. Cole.

Neste momento pré-globalização, socialismo fabiano e globalismo ainda soam quase como opostos: o primeiro nacionaliza, adorando grandes elefantes brancos, enquanto o segundo preconiza o exato oposto. O socialismo fabiano é Petrobras, o globalismo é Goldman Sachs. O socialismo fabiano é reserva de mercado para computadores nacionais, o globalismo é Microsoft e Facebook. Demoraria mais de meio século para alguma articulação entre duas entidades indiscerníveis, muitas vezes de contornos vaporosos – ao contrário da Fabian Society, praticamente nenhum globalista nunca se auto-declarou “globalista” ou escreveu algum “Manifesto Globalista”.
Um governo fabiano

A influência do fabianismo foi gritante no governo de Clement Attlee, primeiro-ministro que sucedeu Winston Churchill pós-Segunda Guerra. Attlee não é muito conhecido fora do Reino Unido, embora seu governo seja paradigma de desastre dentro da Inglaterra. Foi Clement Attlee quem implementou o Welfare State e as propostas do socialismo fabiano, tendo John Maynard Keynes como seu mentor.

Além do National Health Care, o principal destaque ficou para a nacionalização das minas de carvão e das ferrovias – exatamente os setores estratégicos pensados na nacionalização da Sociedade Fabiana, e exatamente os elefantes brancos que seriam desmantelados 30 anos depois, por Margaret Thatcher.

Outro destaque de seu governo foi a descolonização, tema tão caro ao ensino de História no Brasil.

Clement Attlee é lembrado pelos ingleses de uma forma análoga a Lula: uma militância esquerdista o ama, mas não admite em público, enquanto ele é lembrado pelo povo como sinônimo de desastre: seus gastos aumentaram o poder dos sindicatos e emperraram a economia, torrefazendo dinheiro do pagador de impostos com empregos que só serviam à ideologia. Winston Churchill voltaria ao cargo após seu governo, iniciando uma hegemonia conservadora de 4 mandatos seguidos. E isto em uma época em que os Conservadores estavam em crise.

Anthony Crosland, então, edita The New Fabian Essays em 1952, renovando a esquerda, que desde aquela época sofria seriamente com o anacronismo. Num tempo em que governos “socialistas democráticos” tomavam a Europa inteira, os fabianos sofriam em casa: mesmo Harold Wilson, duas vezes primeiro ministro, era um esquerdista que não comungava do credo socialista fabiano, tendo de rotineiramente angariar apoio no complexo sistema parlamentarista inglês junto aos Conservadores.

A Fabian Society voltou a ser a grande influência do Partido Trabalhista apenas na década de 90, e agora turbinada. Operou em dois fronts: modificar a estratégia eleitoral, a um só tempo em que lutava contra o aristocrata parlamentarismo britânico em busca de uma democracia mais direta, modelo “um homem, um voto”.

O resultado veio a galope: Tony Blair, o mais fabiano dos socialistas fabianos, se elege com mais de 200 parlamentares fabianos – quase todo o seu gabinete, incluindo nomes importantes como o futuro primeiro ministro Gordon Brown.

No mesmo ano, outro político fortemente influenciado – e influenciador – para os fabianos foi eleito na França: o primeiro ministro Lionel Jospin, que em 2005 escreveria uma auto-biografia confessando que descobriu no gabinete de Mitterrand que nem fazia idéia do que diziam os informes econômicos. Ambos tinham alta popularidade e ambos eram conciliadores, o que permitia que a agenda fabiana fosse implementada, ao mesmo tempo em que os fabianos mais radicais pediam pelas reformas mais antigas, como a de impostos.

O mundo, o socialismo, a esquerda e o que pegava bem, além da própria estratégia, haviam mudado. A Sociedade Fabiana deveria fazer o mesmo, como vieram a fazer os políticos “sociais-democratas” ao redor do mundo que, assumindo na década de 90, tentaram parecer pró-mercado e talvez até mesmo “privatizadores” em setores falidos. Era uma época em que a nova esquerda admitia a globalização, enquanto a velha esquerda regurgitava estatização, nacionalismo e socialismo. Foi a década de Bill Clinton. Foi a época de Tony Blair. Foi a época de Fernando Henrique Cardoso.
O PSDB é um partido “socialista fabiano”?

Nascido de uma espécie de modernização da esquerda do velho MDB, e com diversas tendências internas, o partido dos tucanos (Fernando Henrique, Serra, Nunes e boa parte de um partido de descendente de italianos eram narigudos) nasceu justamente na época da modernização da esquerda, que “os novos fabianos” da década de 90 trouxeram ao mundo.




Pode-se entender a diferença primordial entre PSDB e PT, que marcou a dicotomia política brasileira de 1993 para frente, justamente entendendo que o PT bradava por um socialismo não-global (“Fora ALCA! Fora FHC e o FMI!”), enquanto o PSDB já tinha abandonado o termo “socialismo” (como a maior parte dos fabianos modernos), preferindo ser um “reformista social”, ou um “social-democrata” ou apenas um partido que luta pela “justiça social”. O PT pensava em nacionalização (estatização) e greve, o tucanato já abraçava o globalismo, o capitalismo dirigido, os, digamos, “gestores” e “quadros técnicos” da tecnocracia que até hoje arrotam platitudes em economês sobre “crescimento” em nossos jornais.

No lastro da modernização da esquerda com a queda do Muro de Berlim, foi inciada a era da chamada “terceira via”, posteriormente chamada de “neoliberalismo” (vinculado retroativamente a políticos conservadores como Reagan e Thatcher e, por isso, levando a inculta esquerda brasileira a achar que o “neoliberalismo” é de… direita), uma espécie de socialismo por meio do reformismo e com aparência de liberalismo, tendendo à abertura global. O movimento terceiro-mundista, o sistema-mundo de Wallerstein, a CEPAL e tantos outros modismos beberam direta ou indiretamente da fonte da Sociedade Fabiana, que conta ou contou com a colaboração de Tony Blair e Bill Clinton, além de pensadores como Anthony Giddens. Poucas coisas são mais fabianas no mundo do que a Constituição de 1988.

Óbvio que para o brasileiro médio, acostumado ao linguajar da grande e velha mídia e dos professores de história, soa estranho chamar tucanos de “socialistas”, como se eles pregassem Gulag, paredón, economia racionada e ditadura do proletariado. Por isso, é necessário esclarecer que trata-se do socialismo ocidental pós-Segunda Guerra, no qual a Sociedade Fabiana foi, por incontáveis vezes, inimiga do velho socialismo.





José Serra, por exemplo, homem altamente influenciado por John Maynard Keynes, Joseph Schumpeter e sobretudo Albert Hirschman, tem como pressupostos para sua economia política a gestão forte nas áreas que a Fabian Society considerava estratégicas – como a saúde – e algum princípio de mercado com regulação em áreas menos estratégicas. Alguns usam nomes como “sociedade de mercado democrático”, ou variações com os termos, para o gigante elefante branco que, paulatinamente, através dos ganhos econômicos perante governos mais esquerdistas e estatizantes anteriores, foram angariados.

Algumas das lideranças mais ligadas aos intelectuais do PSDB, portanto, são o fino cerne do socialismo fabiano. Mas e quanto a pessoas que, perguntadas sobre Hayek, acharão que estamos falando da Selma? O Aécio Neves saberia diferenciar Thomas Piketty de Francis Fukuyama se os visse na frente?
João Doria no partido dos socialistas fabianos

O PT pode ser definido como o único partido de fato do país, na acepção que o termo tem, seja em Robert Michels (que via no fascismo um socialismo melhorado, por ser “mais democrático”) ou em Antonio Gramsci, seja em Carl Schmitt ou em Bertrand de Jouvenel: uma agremiação que busca o poder acima dos interesses particulares de seus indivíduos, com uma ideologia clara, um plano de poder e uma duradoura unidade de ação maior até do que a duração de vidas individuais.

Tendo ficado de fora da modernização da esquerda pós-esfacelamento da União Soviética (já naquela época ninguém mais agüentava ouvir falar em socialismo, lição que o PT só foi aprender com Duda Mendonça), o PT hoje tenta se modernizar às pressas, trôpego, e tendo como inimigo justamente um partido de esquerda modernizada – tratado pelo pensamento binário brasileiro como “direita”.

Mesmo sendo um partido de sindicalistas (Lula, Berzoini, Gushiken), guerrilheiros (Dirceu, Genoino), intelectuais falantes (Fernando Haddad, Marta Suplicy, Eduardo Suplicy) e falhas no espaço-tempo (Dilma Rousseff), é possível ver a cola que os une e entender perfeitamente o que é o partido sem precisar descer a seus interesses individuais.




Nenhum outro partido brasileiro possui tal estrutura, nem mesmo o PSDB. Há membros que apenas rezam tanto pela cartilha do “Estado gestor” (a própria cartilha socialista fabiana), como FHC e Serra. Ao mesmo tempo, há uma gelatina ideológica como Geraldo Alckmin, que a um só momento acena para o Opus Dei e para Gabriel Chalita, discípulo de Paulo Freire (enquanto é alvo do deboche e do desprezo de FHC nos bastidores). Estes andam lado a lado com esquerdistas da velha guarda (inclusive pré-globalistas, como Aloyzio Nunes), tecnocratas narcistas sem nenhum projeto além de si próprios (Aécio Neves, Tasso Jereissati), alguns poucos herdeiros da Democracia Cristã de Franco Montoro, e mesmo um ou outro legislador que esteja no partido, estando muito mais à direita do que o partido permite (Cássio Cunha Lima, Yeda Crucius e até o conservador Paulo Eduardo Martins).

Não é exatamente inteligente considerar alguém “socialista fabiano” apenas por ser do PSDB, embora seja o partido par excellence do fabianismo no Brasil. FHC e Serra certamente foram influenciados por esse ideário. Alckmin e Aécio, que não se parecem em nada, têm incontáveis defeitos, mas têm menos influência do fabianismo do que de qualquer projetinho de lei homenageando deputado em troca de apoio para uma emenda.

Ao invés de ver unidade e princípios superiores entre o alto tucanato de FHC, Aécio, Serra e Alckmin, o que se vê são figuras que se odeiam puxando o tapete um do outro por interesses pessoais. É um partido formal, mas não aquilo que a ciência política considera um partido, um meio de poder: o PSDB é uma briga interna entre gente em quem o povo só vota por detestar mais o PT, e que não avança projeto nenhum.






João Doria galgou o poder na cidade de São Paulo justamente indo contra todo o partido, contando apenas com o apoio de Geraldo Alckmin, que estava tentando ganhar força para fazer frente justamente à ala mais fabiana do partido, que o despreza. É simplesmente impossível encontrar na mídia uma declaração de um tucano favorável ao único político com alta aprovação no Executivo do próprio partido. Ficou famosa, nas primárias da cidade, a cena em que partidários pela indicação de João Doria e de Andrea Matarazzo se esbofetearam nas ruas, com direito a calças arriadas e, bem, isto. Andrea Matarazzo acabaria saindo do partido para virar vice na chapa de Marta Suplicy, agora no PMDB.

João Doria enriqueceu com contratos com o governo, que até hoje não foram investigados. Ficou famoso só o caso da sua revista “Caviar Lifestyle” (sic), que obviamente ninguém lê, mas recebia verbas do governo Alckmin. Apenas a pontinha de um iceberg incalculavelmente maior. Mas antes de Alckmin, seu grupo político é o da família Covas, onde cresceu no PSDB. São coisas pelas quais o atual prefeito deve responder.

Contudo, Doria ganhou a primeira eleição paulistana no primeiro turno por seu estilo midiático e seus ataques ao petismo, formalmente indigitando Lula, não cedendo a repórteres que o pediam moderação (um anti-tucanismo explícito) e, sobretudo, pelo desmantelamento fugaz do descalabro feito na cidade pelo petista Fernando Haddad, que chegou a ter popularidade de um dígito.

Como parte dos tecnocratas com bom sobrenome do partido, Doria tem uma ideologia dificilmente discernível no horizonte. Não parece ser alguém que deve saber o que raios é “socialismo fabiano”, e deve acreditar que o fabianismo, por ser “socialismo”, significa piquete e revolução, e não um meio para um socialismo que, certamente, algum dia chegará, com a obstinação de uma tartaruga.

Nesta toada, ao invés de ler Keynes, Doria assumidamente só lê jornais, sendo o homem de mídias modernas (Bom Dia Brasil e Youtube) na política brasileira. Sendo publicitário, suas preocupações parecem muito mais voltadas às aparências do que às suas substâncias das coisas. Sendo consumidor da mídia, o seu sistema de valores é oriundo da mídia: valores do globalismo – nada de socialismo fabiano, fenômeno muito mais localizado, daqueles influenciados diretamente pelo turning point da velha esquerda rumo à modernização em idos dos anos 90.

Essa mídia acha que Donald Trump é pior do que Kim Jong-un e Adolf Hitler somados, e que armas causam crimes, enquanto criminosos são sempre “suspeitos”. Essa mídia acredita que aquecimento global é “consenso científico” e que a solução são acordos multilaterais que deixem que a ONU governe no lugar de nossas soberanias nacionais.

A mídia, enfim, é o que João Doria pensa, descontando-se os eufemismos para Lula.
Globalismo x O socialismo fabiano hoje

Para os leitores de Facebook, que não lêem livros, há um microcosmo conhecido que conheceu a verdade revelada, raramente ultrapassando um punhado de pessoas, e um mar aberto de erro inimigo que é sempre homogêneo. Assim, basta pensar que todos os adversários são idênticos, sem precisar pensar em nada além: globalismo, socialismo fabiano, social-democracia, socialismo, nazismo e uva passa no arroz são a mesma coisa, usando-se os termos como intercambiáveis.

A coisa se torna ainda mais grave quando salpicada de expressões que caem no uso comum, que o usuário não faz idéia do que significa, mesmo a 1 segundo de distância do Google. É comum ver usuários de Facebook afirmando que João Doria é claramente um socialista fabiano pois sua eleição é a estratégia das tesouras… uma estratégia criada por Lenin justamente para colocar a extrema esquerda no poder, e não um socialismo lento como o fabiano (as tesouras foram usadas pelo PSTU em 2013, por exemplo).




O globalismo hoje já presume um Estado cada vez menor (conquistando muitos libertários, que acreditam que um acordo multinacional de “livre comércio” significa “livre mercado sem fronteiras”), além de se focar em pautas contrárias à família: feminismo, propaganda gayzista, legalização das drogas, educação controlada pela ONU, legalização do aborto e financiamento via grandes fundos bancários transnacionais, com grande destaque para o Goldman Sachs.

O socialismo fabiano, apesar de se conjugar com o globalismo em diversos aspectos, está preocupado muito mais com a questão de leis de renda e herança, ainda buscando criar um grande Estado nacional que possa dirigir a sociedade.




Seu maior exemplo atual (que, não por mera coincidência, é egresso da London School of Economics), é o economista Thomas Piketty, cujo livro O Capital no Século XXI advoga que os insumos advindos da renda (por exemplo, uma casa colocada para alugar) são incrivelmente maiores do que os do trabalho (por exemplo, de um carpinteiro que alugue uma casa para morar). Assim, a desigualdade mundial aumentará brutalmente, e a única solução cabível é que governos criem impostos de renda fortíssimos (inclusive em âmbito global), para tentar equalizá-la com os ganhos do trabalho.

Na Inglaterra da Fabian Society, a questão é tão pública que o incêndio na Torre Grenfell, que deixou 79 mortos, foi discutido justamente à luz das incansáveis reformas por “bairros verdes” (do Partido Verde) e de bairros criados para trabalhadores pelo Partido Trabalhista fabiano, contra a “especulação imobiliária” (já notou como a expressão é usada quase apenas neste mercado?) dos Conservadores.

Um dos novos turning points dos socialistas fabianos veio em 2007, quando Geoffrey Robertson escreveu no jornal esquerdista The Guardian (única fonte da mídia brasileira sobre Inglaterra) o artigo We should say sorry, too, no qual Robertson lembrava que o passado fabiano era o da eugenia. Como não apenas os fabianos eram eugenistas, e como hoje é fácil fugir do debate dizendo que aborto nada tem a ver com eugenia, o debate não prosperou muito.




João Doria, apesar de ser globalista sem nem saber o que é globalismo (qualquer um que acredite e comungue dos valores da grande e velha mídia o é), é contra o aborto. Tampouco parece interessado em um plano de aumento de impostos e gestão econômica dirigida da economia que aumente o tamanho do Estado. Se Serra quer um “Estado controlador”, Doria é chamado de “CEO de São Paulo S/A“, não parecendo ter uma ideologia muito clara além disso. É difícil crer como alguém contra o aborto e pesados impostos na habitação possa ser um “socialista fabiano”. Mas é facílimo perceber como ele acredita no que os globalistas de viés mais liberal dizem.

Quando foi eleito, a professora brasileira Sonia Corrêa, da London School of Economics, na palestra Thinking Sexualities, Globalities and the Politics of Rights from an Interdisciplinary Perspective, utilizou Doria como exemplo da “onda conservadora” que tomava o Brasil após o impeachment, intensificada mundialmente com a eleição de Donald Trump. Os socialistas fabianos não parecem ir muito com a cara de Doria.

A dúvida que fica, sabendo-se que o que um político pensa ou acredita influencia bem pouco no seu agir histórico, é: quem daria as cartas num eventual governo Alckmin? E num eventual governo Doria? Qual é a capacidade de transcender as linhas partidárias, a Fundação Teotônio Vilela, o Instituto FHC etc? O New Labour de Tony Blair e o “reaganismo democrata” do Bill Clinton também eram privatizantes, pró-livre comércio, dentre outras coisas, mas isto basta? Para onde apontará a seta pós-governo olhando-se a longo prazo? São questões que precisam ser analisadas com seriedade.

A Fabian Society apresenta-se hoje mais como um think tank, tendo sérias reservas contra o ultra-radical Jeremy Corbyn, espalhafatoso e socialista da velha guarda. Mas seu método e propósito são claríssimos, mesmo em momentos distintos da história. Não é uma sociedade secreta, e tem membros em todo o mundo anglo-saxão, além de países como França e Espanha.

É importante conhecer seus inimigos com exatidão se se quer vencê-los. Do contrário, é fácil tentar destruir um Goldman Sachs com os argumentos que só atingiriam uma Petrobras. O que não deve acontecer são vidas perdidas lutando contra moinhos de vento em comentários de Facebook, que aos olhares mais apressados e confusos parecem gigantes.

Com colaboração de Filipe G. Martins, nosso mestre em assuntos anglófonos.